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sábado, 30 de abril de 2016

A ironia das verdades


entre a cegueira e a multidão
esta faca de dois gumes na mão
aonde te tentas imaginar 
em tudo o que ela faz
nessa sua doce e cruel grandeza
nessa sua indolente e infiel tristeza
inquietação,não te escondas ainda
hoje estás aqui na certeza
que na ironia das verdades
algo tornou a escapar-se
entre os dedos.


"Mas eu sou diferente" 
diz o manda-chuva
"Sou alguém" 
diz o criminoso
"Sou teu irmão" 
dizem agora todos aqueles
que dantes te recusaram dar a mão.

Nado-morto 
à nascença da crença
aonde há sempre quem se esqueça
de quando foste o bom samaritano
afinal do que serviu 
seres prestável e servil
em suma de novo humano
se haverá sempre quem te aponte o dedo
os falsos moralistas escolhem medos
desde as suas prisões morais 
de quem já não sabe o que diz
e porque o diz 
de quem já nada contradiz 
sem alternativas
sem meias medidas
nem pontos de fuga
nestas forças que não se abatem
nas horas de não escolha
na urgência por alguém 
no silêncio de ninguém

Na mais variável das desigualdades
num mundo cheio de injustiças
e meias verdades
a ironia é mesmo 
a maior de todas
as verdades.




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