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terça-feira, 28 de abril de 2026

Visions of Johanna

 Visions of Johanna

Não haverá nada mais que a noite,

para pregar-nos partidas 

quando tentamos permanecer no seu silêncio?

Nós sentamo-nos aqui

sem aparo,

embora todos façamos

 o melhor para o negar

e Louise ao segurar uma mão-cheia de chuva,

tenta-te desafiar

luzes tremeluzentes

chegam do apartamento em frente

neste quarto os cachimbos continuam a tossir o fumo

ao som leve

da radio tocando música country

mas não há nada, mesmo nada

que consiga fazer tudo desligar-se

apenas Louise e o seu amante,

continuam tão entrelaçados.

E todas estas visões de Johanna

que conquistaram a minha mente.

 

Na varanda vazia

onde as raparigas

brincam à "cabra cega"

com a chave mestra

e as mulheres da noite 

sussurram

sobre as suas escapadelas pelo metro "D"

nós ouvimos atentamente o vigilante nocturno

acendendo a sua lanterna

interrogando-se se era ele,

ou elas

que estavam realmente loucos.

Louise, ela é porreira,

ela está sempre por perto

ela é delicada e parece-se com o espelho.

Mas ela faz tudo ficar tão conciso e tão limpo

que Johanna já não está mais aqui.

O fantasma de eletricidade

uiva nos ossos do seu rosto

onde essas visões de Johanna

tomaram agora o meu lugar.

Agora, pequeno rapaz perdido,

levas-te tão a sério

Vangloriando-te da tua miséria,

gostas de viver no perigo

E quando eu torno a mencionar o nome dela

ele fala de um beijo de adeus para mim

ele certamente terá muita lata 

para fazer tudo parecer

tão completamente inútil.

Murmurando comentários sem importância,

do lado de fora do corredor

enquanto eu já estou dentro da sala.

Como eu posso explicar?!

Oh, isto é tudo tão difícil de entender, tão absurdo

e estas visões de Johanna,

mantém-me acordado até depois do nascer do sol.

 

Dentro dos museus,

o Infinito será julgado

entre vozes ecoando

o que será a salvação por breves momentos

Mas a Mona Lisa 

tinha a tristeza da auto estrada

podemos ver isso pela maneira como ela sorri.

Observa o rústico papel florido de parede gelar

quando a mulher com cara de geleia espirra

Ouve o tal de bigode dizer, "Jesus,

eu não posso encontrar meus joelhos".

Oh, jóias e binóculos 

pendendo da cabeça da mula

mas essas visões de Johanna,

elas fazem tudo parecer tão cruel.

 

O vendedor conversa agora com a condessa

que finge preocupar-se com ele.

Dizendo,

"Mostra-me alguém que não seja um parasita

que eu vou lá fora e farei uma prece por ele"

Mas como Louise sempre disse

"Você não consegue olhar muito mais, pois não?"

enquanto ela,

ela mesma, se prepara para ele.

E Madonna, ainda não resolveu aparecer

nós vemos nessa jaula vazia agora corroída

onde a sua cortina de teatro outrora esteve levantada.

E o tocador de violino, ele agora caminha para a estrada

escrevendo que tudo retornou aos seus legítimos donos

na traseira da carrinha do peixe que recarrega

enquanto a minha consciência explode.

As harmónicas tocam as chaves mestras e a chuva

e estas visões de Johanna são agora tudo o que permanecem.







segunda-feira, 4 de agosto de 2025

diários de bordo (kurt vile - paredes de coura)



 

 


A edição de 2011 de Paredes de Coura foi qualquer coisa de especial. Durante os 3 dias que duraram a edição, podíamos alternar entre concertos do palco secundário que começavam pelas 15h00 e os do palco principal o facto é não havia uma única banda que se pudesse dizer que estavam ali para "encher chouriços". Quando começavam os concertos era tentar chegar o mais perto do palco possível, marcar o lugar. E depois, já não conseguias sair dali, porque as bandas eram realmente quase todas cativantes. Não me lembro de ter vivido mais algum festival assim, normalmente festivais temáticos, como o SonicBlast ou o Swr Barroselas, pecam por isso mesmo o que leva a alguma saturação com o passar das horas, naquele ano ali não. Isto numa altura em que estava muito mais por dentro da realidade rock indie, não deixaria de assistir a algumas revelações no palco secundário. Recordo me por isso de descobrir no mesmo dia Kurt Vile e Crystal Castles, só para citar alguns dos nomes. Kurt Vile parecia-me ter chegado a Paredes de Coura com alguns 20 anos de atraso, transitando via Seattle capital da era do grunge, lembrava me por exemplo um Mark Lanegan mais novo, ainda nos Screaming Trees. Sempre pensei que ele viesse evoluir como algo parecido ao Mark, tal como achava que Mark ainda pudesse vir a tornar-se algo parecido a Tom Waits. Segui acompanhando a musica do Kurt desde esse dia. Crystal Castles nem por isso, perdi lhes completamente o rasto. No entanto o que ficou na memória do concerto deles, para além da inconstância frenética dos strobs, foi que a música eletrônica também consegue por vezes ter uma batida heavy, estranha, não sei definir. Mas foi assim o concerto, esquizofrênico, por causa das luzes, e ao mesmo com uma mistura de sensualidade mecânica e hipnotizante em que a voz e dança da cantora se mesclava com a batida electonica. Só que, para quem assistia em vez de dançar, por vezes parecia me mais propicia para headbanging. Não me lembro se teria fumado algo ou talvez bebido alguma bebida forte, não sei. Mas o concerto deles bateu me mais do que um shot ou um cocktail qualquer. 







 

wino (the godfather of doom metal)

Foi à cerca de dois anos atrás que os The Obsessed andaram pelo nosso país.

Isto na antecâmara de um documentário, simplesmente intitulado "Wino", que estava para ver a luz do dia na altura. Acerca do dito comentário, entretanto ainda não consegui ver mais do que os teasers que estão disponíveis no YT. 

The Obsessed, de todas as banda do riff master e godfather do Doom Metal, Scott "Wino", talvez seja a que tem mais o seu cunho pessoal. 

De recordar, que Scott "Wino" é igualmente vocalista ocasional nos Saint Vitus, alternando nesse papel com o Scott Reagers, por sua vez Spirit Caravan é outra das suas bandas que recomendo uma audição.








Os The Obsessed voltariam depois ao SonicBlast o ano passado, talvez no melhor dia, juntamente com High on Fire, Brant Bjork entre outros. Isto quando já estamos a apenas alguns dias de uma nova edição. Confesso que ainda nem olhei para os nomes da edição deste ano, a ver se conseguem manter o nivel de qualidade em termos de nomes, acho difícil,  visto que a fasquia tendencialmente parece tornar se mais elevada de ano para anos

Talvez, por isso mesmo, já se tenha tornado de algum tempo para cá, no meu festival de eleição, a nível nacional.





Ouvir The Obsessed tocando Thin Lizzy é mesmo de facto o melhor de dois mundos.






sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Bill Ward


O papel de Bill Ward nos Black Sabbath nunca terá sido devidamente sublinhado.
Certamente um dos bateristas mais influentes de sempre, à semelhança, por exemplo de John Bonham ou Neil Peart.
 Uma virtude dos Sabb 4, sem duvida, era o facto de todos os 4 elementos terem uma enorme importância para o som característico da banda.






 

Tachos, Panelas e outras Soluções (O exemplo islandês)

 

*Mais do que falarem de quem dormia com quem, por exemplo, no iate do Cristiano Ronaldo os media portugueses terão perdido aqui uma excelente oportunidade de divulgar o exemplo islandês de como se combater uma crise económica. 
Porque é com os bons exemplos que devemos aprender.



quarta-feira, 30 de julho de 2025

charlie parker






I strive to believe 

that words can be real and stand for new things

But honestly i believe more and more 

that they re just noise that we made up, 

it's the rhythm, the rhyme, the metric, the intention

that gives them life.


Kerouac for instance, 


wanted to transmit the rhythm of the bebop jazz sax and would write in one breath like the sax player.

making only pauses at the proper rhythm. for that reason reading where important for the beat poets.

was all about the rhythm of words, which would a whole different meaning to it's essence

language is a virus ( hipnotic apocalypse )

( hipnotic apocalypse ) 


angelic dust - sealing the ruins

the struggles from a mortal apocalypse

frontline of a lead presence


all casualities 

of a nuclear accident

dissolving 

into one final breath



creeps in the hours of main,

hanging like vain 

light, 

over bleak groves

surrounding us 

in one deadly 

final 

ecstatic view



language is a virus



their violent rules impregnate - omnisciently

and pushes us back - forcing us  

to recreate disorder 



utopy in revelry

breaks through an ancient scenery, 

leads us here, 

teach us 

mere 

mortals

how to subvert 

this crazy fluid reality



Do we speak words, or do words speak for us?

What do words say , how they say it?



shall we use insightful words 

to praise a wonderland 

world of others

between strains and bones 

they ate your world

and made you the criminal 

blinding the faith

to make it as their own profit

they don't care

trust me 

they don't care about you





gather your people 

to question all authority 

 renegate education, in a mission 

to astray control, 

descontruct 

 all media constructed fallacies

made for your assumption, 

in a slave trade acceptance

evasion is a bliss

 

questionize- those insidious words of war 

phrase yourselves, 

against shallow fatality

in the intimacy of solitude, the wolf is at the door



Burroughs once said,


"language is a virus, 

that someone or something out of this world spread through us"