O meu interesse por música não foi continuo, não foi espontâneo nem prematuro. Foi surgindo aos poucos, entre conversas de amigos. Na casa do amigo Marco "Cola" teria uns doze anos e o Tiago e eu discutíamos constantemente quais eram as nossas canções favoritas de Guns N Roses, o anfitrião por sua vez tentava nos convencer a gostar mais de The Cure ou Depeche Mode.
Penso que Nirvana e Alice in Chains apareciam mais ou menos nesta altura. E as gravações do Nevermind começavam a passar de K7 para K7 nos círculos mais intimo. Algures, durante esse mesmo ano lectivo, o meu pai faria me a promessa após uma conversa telefónica com os meus tios. "Se tiveres boas notas poderás ir passar umas semanas de férias ao Estoril." Chegou o Verão e estava contente, quase exuberante, por ir de férias para Lisboa e cantarolava por isso mesmo nos recreios da escola ao Tiago... "Aqui vou eu cheio de vida...aqui vou eu para a Costa da Caparica..." um clássico absoluto dos Peste & Sida (que na verdade er uma reinterpretação da "California Sun" dos Ramones) . Era um tema que rodava imenso nas rádios da altura, se calhar pela primeira vez mais até do que os quase sempre omnipresente Xutos. Que agora diziam se "limpos" e diziam "Não de vez" a uma vivencia de drogas duras e cantavam no, entre a "Chuva dissolvente...a caminho de casa". Por sua vez os seus "afilhados" mais conhecidos agora já não o eram pois tinham mudado de editora. Os Censurados do Ribas, mudavam igualmente um pouco a sua sonoridade. "Sopa", com o baterista Palitos na voz, era agora o grito de ordem que mais se escutava deles.
Entretanto afirmava se um estranho grupo bracarense.
De que eu ouvi falar , depois de ver o nome nos cartazes de um concerto na vila de Odeceixe.
"Mutantes S 21" por sua vez era o nome do álbum e "Budapeste" o single que agora dava a conhecer os Mão Morta a um público mais vasto naquele verão.
O Tiago gozava comigo " Ca' burro...a Caparica fica na margem sul...e não em Lisboa...e além disso o Algarve tem praias mais fixes!"
" Ah pá não interessa nada disso...vá lá não me estragues a vibe...etc"
Por fim o verão chegaria e curioso como a vida funciona como ciclos, foi depois de um dia passado na praia do Tamariz, que fomos todos ao Centro Comercial Colombo. Era a minha primeira vez naquele centro e perdi me logo na primeira loja de discos que encontrei, claro que a mesada dos meus pais foi para un CD qualquer dos GN'R não me recordo ao certo qual o álbum. Talvez o "Apetite for Destrution", ou daí o "Lies". Sei que tinha a "I use to love her...but i have to kill her..." que eu e o Tiago cantarolávamos a toda a hora. O meu tio diz me, meio a brincar " porra que mau gosto...o vocalista é uma autentica prima donna, não viste a figura que ele fez no concerto". " Fdx estes putos hoje em dia não ouvem musica nenhuma de jeito" dizia me ele uma vez mais em jeito de gozo. Quando então chegamos a casa mostrou me então a sua colecção e foi um impacto imediato. Hoje em dia vivo cá e é curioso sempre recordar que na verdade foi aqui que começou realmente a minha paixão pela música. A colecção de vinil do meu tio era bastante interessante. Não porque fosse numerosa mas mais pela sua diversidade. E pela novidade que representou para mim na altura. Logo ali descobri os AC/ DC do Bon Scott, os Maiden ainda do Paul D'Anno, os Saxon, os Zeppelin, revivi os Doors...quis conhecer finalmente a banda da mascote "Snagletooth" pois era uma imagem que sempre me intrigava, tal como o "Eddie". Eram obviamente os Motorhead, e acabaria por depois compilar em k7 algumas das suas melhores musicas, como a "Overkill"
Até cenas tugas. Redescobri os Xutos, aqueles Xutos dos anos 80....os que para alguns eram os verdadeiros Xutos, Os dos albuns "janados" ao vivo no RRV. Como alguém me diria anos mais tarde. Foram com esses álbuns que eles começariam a história que hoje em dia todos nós conhecemos.
Os Taxi...e a lata do álbum "Cairo", os UHF e até os Tantra.
Inclusive bandas como os Tubes, The Clash, Ramones e Stranglers ficariam para a posteridade como lembranças deste Verão.
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