a capela sistina estava encerrada
o jardim do amorna sua doce flor
se dava ao vazio de uma terra árida
de janela aberta,
esperando pela primavera
esperando para o que der e vier
assombrado pelo tormento
de uma calma implausível
esperando para o que der e vier
assombrado pelo tormento
de uma calma implausível
o cão poeta, não o cão que eles
não viam como poeta
cantou a Miguel Ângelo
e à sua capela sistina
a Van Gogh
e à sua noite estrelada de Arles
e por fim, suspirou a sua elegia amorosa
à sua paixão mor
inspiração deleitosa
a que vinha da Rua do Capitão Mor
às sereias da Ria Formosa
negros,
os olhos de deus
percorriam a pele iluminada,
na praia escondida do nosso adeus
nas lentas horas de vigília
dormindo ao relento
deitados na areia húmida, uma constelação ergue-se
como candeias
que nos iluminam por dentro.
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