a capela sistina estava encerrada
o jardim do amorna sua doce flor
se dava ao vazio
desta terra árida
de janela aberta,
de janela aberta,
esperando
pela primavera
esperando
esperando
para o que der e vier
assombrado pelo tormento
assombrado pelo tormento
de uma calma implausível
o cão poeta,
não o cão que eles
nunca viam como poeta
cantou a Miguel Ângelo
e à sua divina capela sistina
mas ao entardecer
esta não parecia mais uma capela
e os seus versos
não pareciam mais versos
A natureza é mais selvagem
mais pura
que todos os deuses
no confins
por onde o destino nunca passa,
apenas se sente
num espaço
relativo e vago
em continua viagem
se se pudesse numa prece, com esta espectral miragem
apenas comover os mortos
cantando a Van Gogh
e à sua noite estrelada de Arles
na demanda
que sangra ao natural
à portas de casa do divino animal
e por fim, suspirar
uma elegia amorosa
à sua paixão mor
era pura inspiração deleitosa
a que provinha das Ruas do Capitão Mor
sombra
que se esquiva,
furtiva,
nocturna passageira
entre solenes recitais
às sereias da Ria Formosa
negros,
os olhos vibrantes de deus
percorriam lhe a pele iluminada,
na praia escondida
deste nosso adeus
nas lentas horas de vigília
dormindo ao relento
as constelação erguem-se
como candeias
que nos iluminam por dentro.
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