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segunda-feira, 29 de junho de 2026

No Sleep 'til Hammersmith ( como tudo começou )

 O meu interesse por música não foi continuo, não foi espontâneo nem prematuro. Foi surgindo aos poucos, entre conversas de amigos. Na casa do Marco "Cola" teria eu doze anos e o Tiago e eu discutíamos constantemente quais eram as nossas canções favoritas de Guns N Roses, o Marco por sua vez tentava nos convencer a gostar de The Cure ou Depeche Mode. Penso que Nirvana e Alice in Chains apareciam mais ou menos nesta altura. E as gravações do Nevermind começavam a passar de K7 para K7 nos círculos mais intimo. Algures, nesse ano lectivo o meu pai fazia me a promessa após uma conversa telefónica. "Se tiveres boas notas poderás passar umas semaninhas de férias ao Estoril com os teus tios." Chegou o Verão e estava contente, quase exuberante, por ir de férias para Lisboa e cantarolava por isso mesmo com o Tiago... "Aqui vou eu cheio de vida...aqui vou eu para a Costa da Caparica..." o clássico absoluto dos Peste & Sida ( que na verdade era uma reinterpretação da "California Sun" dos Ramones) . Este era um tema que rodava nas rádios da altura, pela primeira vez mais até do que os quase omnipresente Xutos. Que agora diziam se "limpos" e diziam "Não de vez" a uma vida de drogas duras e cantavam no assim. Entre a "Chuva dissolvente...a caminho de casa". Por sua vez os seus "afilhados" mais conhecidos já não o eram pois tinham mudado de editora. Os Censurados do Ribas e dos seus acólitos, mudavam igualmente um pouco a sua sonoridade. "Sopa", com o baterista Palitos na voz, era agora o grito de ordem que mais se escutava deles. 

Por sua vez afirmava se um estranho grupo bracarense. Mutantes S 21 era o álbum e "Budapeste" o single que dava a conhecer os Mão Morta a um público mais vasto naquele verão. 

O Tiago gozava comigo " Ca' burro...a Caparica fica na margem sul...e não em Lisboa...e além disso o Algarve tem praias mais fixes!" 

" Ah pá não interessa nada disso...vá não estragues a vibe...etc"

Por fim o verão chegaria e curioso como a vida funciona como ciclos, foi depois de um dia passado na praia do Tamariz, que fomos todos ao Centro Comercial Colombo. Era a minha primeira vez naquele centro e perdi me logo na primeira loja de discos que encontrei, claro que a mesada dos meus pais foi logo para o cd qualquer dos GN'R não me recordo ao certo o álbum. Talvez o "Apetite for Destrution", ou daí o "Lies" não me recordo ao certo. Sei que tinha a "I use to love her...but i have to kill her..." que eu e o Tiago cantarolávamos a toda a hora. O meu tio diz me, meio a brincar " porra que mau gosto...o vocalista é uma autentica prima donna, não viste a figura que ele fez no concerto que tiveram cá". " Fdx os putos hoje em dia não ouvem musica nenhuma de jeito". Quando chegamos a casa mostrou me então a sua colecção e foi um impacto imediato. Hoje em dia eu vivo cá e é curioso recordar como foi na verdade aqui que começou realmente a minha paixão pela música. A colecção de vinil do meu tio era verdadeiramente interessante. E já conheci alguns colecionadores. Não por ser numerosa mas mais pela sua diversidade. Logo ali descobri os AC/ DC do Bon Scott, os Maiden ainda do D'Anno, os Saxon, os Zeppelin, revivi Doors...quis conhecer finalmente a banda da mascote "Snagletooth" pois a sua imagem sempre me intrigava. Eram obviamente os Motorhead, compilei em k7 algumas das suas melhores musicas, como a "Overkill" 

Até as cenas tugas. Redescobri os Xutos, aqueles Xutos dos anos 80....para alguns os verdadeiros Xutos, Os dos albuns janados ao vivo no RRV. Foram com esses álbuns que eles começariam a história que todos conhecemos. 

Os Taxi...e a lata do álbum "Cairo", os UHF e até os Tantra. 

Inclusive bandas como os Tubes, The Clash, Ramones e Stranglers ficariam para a posteridade como lembranças desse Verão. 









É cíclico, eu sei, como quase tudo nesta vida. Mas será quase escusado aqui dizer que desde que vim para cá viver tenho tentado replicar toda a colecção de vinil. 
É uma forma de voltar atrás no tempo e ao mesmo sentir tudo tão presente. 
E só mesmo a música consegue ter essa magia.




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