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quarta-feira, 2 de março de 2011

Sringara

  



Sringara


Dance with me - delightful queen
your boughs 
of bard
are nests 
for homeless birds
and your tender whisper
keeps luring 
lost wandering souls.

Dance with me -my secret epiphany
chinese folios
are signs in the trees
the way to her
the way 
to Jeanne of Orleans


the homeless
will keep following you
while you
holding a golden tiara
in you hair
and purple diamonds
in your breasts
in your land of gardenias
you'll rise 
again


dancing
on the edge
of my fantasies
all dressed in sari
you hold the key
to an hidden memory
restless doves
gathering
like in an ancient tale
as we hear krishna's flute
and recall
promises 
carved in ebony






sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

janela com vista para o mar


                                        * Salvador Dali


Estavas órfã de mim
e eu sedento de ti
na permuta dos desejos
encostaste a tua boca na minha
na respiração sustida,
és a cara de anjo amuada
no close-up do teu flanco.

"I lit my purest candle,
close to my window..."

Por detrás da cortina
indiscretamente,
um olhar visionário
e trocamos por fim palavras
no silêncio de todas as nossas ilusões.


escuto-te
perante toda
a cinemática paisagem
do amanhã
na hora de acordar
para de novo contigo adormecer

Abraçando
violentamente
opulência da vida
rogamos aos paxás
nos ocultos dias
com o regozijo de compreender
tudo o que dantes nos assustava,
corcel divino da fantasia
ansiando por verões índios, 

- nesta viagem breve e ocasional dos espíritos.


signs & sounds of a sweet delusion



   





From 
this shattered images
I now write a prayer 
to which I denounce 
my quest for delight
and reclaim
the lost procession
purity and romance
lust 
 and obsession
visions in blue
through 
a mystic nature 
in trance

 a new morning mist,
like a reveille

And yet, 
what does it reveals?...
A path through the wilderness
that seals this magic script

- signs and
sounds
   of a sweet delusion    


love 
in the heart 
of a deer
is brought to me 
through
golden winged 
messengers
 
- signs and 
sounds
of a sweet delusion







quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

abismos






abismos (na rua do velho taberneiro) 


i

fiz de novo as rimas
com as ruínas 
da infância
e entreguei todo os diamantes 
à terra que me deu de comer
provei
o espesso licor
de encantos
vislumbrante apenas
na noite dos desencantos,
a outra face da lua
deixará sempre a sua marca.

E se anseio,
clamo o teu nome.
E se digo não,
a minha consciência sangra.
Serei teu vampiro 
com as presas da agonia
cravadas na recusa do teu pescoço.
Serei escravo em ti medusa,
com todos os meus pesadelos 
transformados em pedra.

Para acordar
do simples espanto
em que habito,
fumo então
de janela aberta
na esperança que o esquecimento
te leve para bem longe de mim.


ii

A desdita fonte 
que secou no Inverno,
e que nenhumas palavras
conseguem redimir.
A vaga promessa,
desfraldada
na luxúria de um adeus
e na destreza
com que tornam
a vestir as roupas.

Enveredando 
entre manhãs distintas,
entregavam-se assim de novo 
à solidão.

iii

Violinos subterrâneos
incendeiam-nos todos os rostos da memória.
na era dos deuses individuais
o pathos distante
no caos 
que emerge 
por todas as orlas destas ruas.

E a multidão,
sempre 
que o ritual se repete
segue procurando 
por verdades escondidas 
debaixo de um copo.

Na rua do velho taberneiro
sentar-me-ei de novo
absorvendo à distância
o aroma a decadência
ou talvez apenas a dança
que desprende a voluptuosidade
do arrebatamento colectivo.

flutuante pelo caminho
segue
as tochas acesas
te espero
na avidez
que nos levará a galope até à cidade
onde deveríamos sempre voltar.

A nossa cidade.

O frémito do abismo cresce de novo
pelas memórias
de uma despedida 
que desaparece lentamente no limiar 
do mar cor-de-vinho.

Na raiz 
da noite humana
anseio sempre, pelo incendiar 
que alumia 
no negro das palavras.


“And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music.    
Friedrich Nietzsche


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

thoughtless thoughs


peeking out from the skies

like a kingdom of chimaeras

memories of one-night stands

travelling into my wondering gaze 

making me realize 

that nothing makes sense

with nothing

in this city of lust...



René Magritte

satellite of love ( The Million Dollar Hotel soundtrack )

Satellite's gone 
Up to the sky 
Things like that drive me 
Out of my mind 
I watched it for a little while 
I love to watch things on TV 

Oh...satellite of love 
Ah...satellite of love 
Oo...satellite of love 
Satellite 

Satellite's gone 
Way up to Mars 
Soon it will be filled 
With parking cars 
I watched it for a little while 
I love to watch things on TV 

Ooo...ahh...satellite of love 
Ha...satellite of love 
Satellite of love 
Satellite 






quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cinema Expressionista - Dr. Caligari (1920)



Cinema Expressionista
(“ O Expressionismo é um jogo” – Dr.Mabuse)

  
  A época dourada do cinema alemão coincide com o período de convalescença da I Grande Guerra.
  Os primeiros filmes a serem catalogados como expressionistas terão sido Der Golem (1920), Das Cabinet der Dr Caligari (1920) e Nosferatu (1922).
   O director mais conhecido vindo desse período foi sem duvida Fritz Lang, que faria também uma carreira bastante produtiva em Hollywood, aonde viveu mais de dez anos como exilado.
   Fritz Lang passou grande parte da adolescência em Viena, talvez mesmo influenciado pelo popular retratista local, Egon Schiele, terá chegado a ambicionar seguir uma carreira como pintor, apesar deste pormenor no entanto negaria sempre a influência do Expressionismo nos seus filmes (“O Expressionismo é um jogo- dizia a personagem principal do seu primeiro Dr Mabuse) embora filmes como M (For Murder) ficassem demarcadas na história do cinema como referências do movimento, muito devido ao “curioso jogo de sombras” entre a personagem de Peter Lore, o assassino de crianças e o espectador.
   Esse “jogo” também visava criar contrastes extremos,entre luz e sombra,o chamado Chiaro Obscuro, todas estas ambientações sinistras e obscuras seriam igualmente percussoras do filmes noir norte-americanos. O facto de alguns realizadores e actores terem mesmo exilado-se em solo americano no período da II Guerra Mundial terá contribuído decisivamente para o surgimento de tais estilos, caso por exemplo de Karl Freund (realizador do primeiro Dracula em 1931) de referir que até o mestre do suspense, Alfred Hitchcock estagiou durante algum tempo nos estúdios da UFA, o estúdio alemão que faliu logo após ter financiado a obra megalómana de Lang, Metropolis (1927). Os enredos dos filmes lidavam com a loucura, insensatez, traição, sendo estes carregados de simbolismo e por vezes seguidores de uma temática que lembrava o lado onírico também muito abordado pelo Surrealismo. Inconfundível sem duvida era o estilo dos cenários utilizados em Nosferatu e Dr Caligari cujas formas geométricas e cujo o imaginário nos faz recordar imediatamente as cidades e ruas que os quadros de Kirchner ou Schiele nos apresentavam.
   No cinema contemporâneo existem claras tentativas de captar o espírito do Expressionismo Alemão em filmes como: Blade Runner (1982) ou Batman Returns (1992) cujas cidades são impossíveis de se dissociarem das emblemáticas imagens de Metropolis, Tim Burton será muito provavelmente o realizador que mais foi beber a essa fonte.
Veja-se filmes como Edward Scissorhands e compare-se as semelhanças entre a personagem do Johnny Depp e o sonâmbulo de Dr Caligari ou então os cenários de Sleepy Hollow com os utilizados em Der Golum e Nosferatu, cenários esses que seriam homenageados numa musica contemporânea dos Red Hot Chili Peppers, no videoclip The Other Side.           







Por muitos considerado o expoente máximo do cinema expressionista,Dr Caligari (1920) foi realizado por um desconhecido Robert Wiene, que conta-se, terá substituído Fritz Lang na escolha inicial da produtora.
As imagens sao como reflexos em espelhos deformantes.
E em todos o cenários a perspectiva torna-se invertida
A fotografia faz realçar o chamado Chiaro Obscuro com contrastes violentos e fortemente anti-realistas que acentua ainda mais esse processo de inversão, numa intenção de estética onírica e totalmente surreal.
 Toda esta estética visava criar no espectador a perspectiva de um louco que narrava a sua história num manicómio. A narrativa parte desde o inicio até ao epilogo de uma visão delirante.
  
Os cenários, criados em pedaços de madeira e pano por varios pintores expressionistas ainda existem e estão expostos no Museu do Cinema Henri Langlois, em Paris.