Costuma-se dizer que a lua é mentirosa.
"We are such stuff As dreams are made on; and our little life Is rounded with a sleep." The Tempest Act 4, scene 1, 148–158
quinta-feira, 14 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
a pledged way
unveil
a path to nothingness
again,
the direction
is hidden in the soil
(the stones are now casted)
tune it now,
that mysterious dance
through the alienation
that took us
by chance
tune it all,
at the same heart beat.
on the steeple
the word
and the fiddle
simple meanders
to touch the sky
smoothly
there, where it hides the sun
burning roupes to eternity
languish voices in a trance
it all sounded mild
in the borderlines
of a new orphan star
spiritual mother,
remarking the trails
reclaiming the wisdom,
breaking all our imaginary prisons
a bit of stardom, from you my lover
a bit of dirt, underneath my nails
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Diários de Bordo - Barcelona
Finalmente um pouco de descanso! Nem acredito que seja já 5ªfeira. Saí 2ª feira de manhã directamente para Sevilla, tendo chegado por volta das 13h30. Durante o percurso no autocarro aproveitei para ler o clássico do Hemingway sobre a guerra civil espanhola "Por quem os sinos dobram". A forma como Hemingway conseguiu captar o carácter caloroso dos espanhóis como se fosse um deles e ao mesmo tempo distanciar-se como o estrangeiro era torna-se sem duvida uma das virtudes deste livro. Levei várias semanas adiando a viagem retido por burocracias à espera do dia em que pudesse finalmente concretizar a fuga. No primeiro dia em Sevilla conheci uma rapariga madeirense, que curiosamente também vivia em Faro e embora nunca tivesse tido o privilégio de a conhecer por lá tal como a personagem no livro de Hemingway também se chamava Maria. Quando ela entrou no autocarro ainda fiquei na expectativa que se viesse sentar no lugar que se encontrava vago ao meu lado. Mas ela limitou-se a passar por mim sorridente e foi de isentar-se no banco de trás e entretanto para aumentar mais o meu desconsolo, um grupo de noruegueses entra na paragem seguinte, tendo o mais obeso sentando ao meu lado.Durante as 3 horas seguintes praticamente não me consegui mexer, como sol de fim de verão andaluz fustigando me pela janela. O tipo norueguês tornava-se realmente incómodo, restava-me o meu olhar desconsolado para Maria, ao qual ela respondia com um leve sorriso trocista, como que entendendo o meu desconforto...após os devaneios sevilhanos que acabaram por valer apenas por revisitar a Plaza de España, as cerca de 4 horas debaixo do maldito calor desidrataram-me completamente. Estava de volta à estação dos autocarros, ressequido e cansado, esperando pelo autocarro para Barcelona quando a vejo sentada sozinha à entrada com um ar bastante preocupado. Ela dirige-se a mim,insegura, pois tinha acabado de perder o autocarro para Málaga e via-se forçada a ter que pernoitar em Sevilla. Pobre miúda, se não fosse o facto de ter logo comprado o bilhete do autocarro para Barcelona e teria calorosamente aceite aquele convite para ficar com ela, poderíamos ter passado a noite ao relento conversando nos bancos dos jardins andaluzes, ou então quem sabe até a fazer amor nalguma residencial recôndita na Calle Sierpes. Por breves momentos poderíamos assim esquecer toda a amargura de dois seres solitários neste vasto mundo.
Tinha finalmente começado esta viagem-revelação de como todo este mundo não passa de um sonho esperando por nós... desejoso de ser vivido em toda a sua plenitude.
Ao vislumbrar Barcelona de autocarro, o smog cobria o horizonte ainda distante desta cidade, que tinha a curiosidade de se situar ao mesmo tempo entre as montanhas e junto do mar. Barcelona poderia ser uma possível futura capital desse reino europeu que parece estar na forja já à algum tempo, se a União Europeia por alguma razão algum dia se viesse a tornar nos Estados Unidos da Europa a capital deveria chamar se Barcelona, nem Copenhaga, nem Berlim, nem sequer Madrid. Penso isto principalmente pela localização periférica. No entanto a capital catalã é de facto uma cidade muito própria, antiga e ao mesmo tempo moderna, liberal e jovem surrealista sempre como se houvesse um pouco de Gaudí, Miró ou Dalí em cada avenida. Quatro pessoas viriam a marcar-me profundamente, quarto possíveis irmãos noutra encarnação,companheiros de viagem que muito provavelmente não voltarei a ver, pois apenas a brevidade dos dias poderia permitir tais ligações que embora efémeras serão certamente mais marcantes que a maioria que por vezes temos no nosso quotidiano. Ao chegar à pousada, quando tentei dirigir-me à recepcionista com o meu péssimo castelhano, ela sorriu-me e falou em português com sotaque brasileiro, mais tarde estava deitado na parte de cima do beliche, embrenhado no que me restava ler do Hemingway,quando entra um tipo de rastas, trazia também o seu vinho numa garrafa de plástico e um stick que utilizava para fazer o jogo do "devil stick" com fogo nas ruas, servindo lhe de sustendo,quando este tentou dirigir-se a mim no seu péssimo castelhano, naturalmente que sorri também e disse-lhe "podes falar em português comigo". Uma amizade curiosa esta a que travei com ele, dois sonhadores uma demanda por algo mais do que material criamos forte empatia e falamos de tudo o que era relacionado com misticismo, espiritualidade, Lsd, meditação etc. O I. conhecia a cidade pois já lá tinha vivido alguns meses, curiosamente nunca tinha estado no Oceanário junto ao porto marítimo de Barceloneta. À medida que I. ganhava confiança e desenvoltura no seu diálogo comigo,ia também aos poucos confessando pormenores íntimos das sua viagem que tinha como objectivo principal ir até à Turquia, quando trocamos moradas ele prometeu dar-me todas as novidades assim que chegasse ao destino, embora pela maneira como esbanjava facilmente o dinheiro tanto em bebida como em roupa, principalmente chapéus, eu ficasse duvidando que se alguma vez ela terá conseguido chegar ao seu destino. Quando tentava interpelar-lhe e chamar-lhe à atenção por isso, ele limitava-se a sorrir e a mostrar a sua flauta para tocar na rua, como que dizendo "no worries mate!". Quando regressamos à pousada, um homem sexagenário entrava connosco na habitação,estava bastante revoltado e falava sozinho,tentava disfarçar o seu desconforto por nos ver ali com o seu péssimo castelhano com sotaque brasileiro, eu e o I. automaticamente olhamos um para o outro e desatamos a rir pois percebemos naquele instante que a brasileira da recepção estava a tentar juntar todos os nativos do português no mesmo quarto. Era o J., antigo repórter fotográfico brasileiro que voltava da Alemanha de onde tinha assistido ao casamento da sua filha. E que histórias impressionantes nos tinha para contar, desde a vez que esteve em Cuba numa conferência e do privilégio que foi conhecer Fidel Castro,ele tornava-se assim um pouco como a personagem daquele avozinho da nossa infância que nos contava histórias. Foi casado 6 vezes e desejava agora ir a Portugal para procurar uma antiga paixão portuguesa, era um romântico e só para ouvir as suas histórias de amor já quase valia a pena ter feito esta viagem a Barcelona. No dia seguinte J. travaria conhecimento com E., espanhola de Madrid que tinha vivido e estudado em Tomar .E o nosso "Band à Part" estava assim completo. Era um contraste interessante aquele que havia entre J. e E.,ao qual eu ia assistindo quando nos dirigíamos para a Casa Batló, depois da nossa visita à Sagrada Família. E. vivia certamente a amargura de uma separação recente e isso notava-se no seu timbre de voz e na descrença que afirmava manter acerca do acerca do amor, mas simpatizou imediatamente com J. Durante a noite fomos aos bares do Bairro Gótic e lembro-me carinhosamente destes momentos, até à despedida do J., que foi o primeiro de nós a partir, na madrugada do terceiro dia.
Diários de Bordo - Vilar de Mouros
As memórias de um festival ficam quase sempre em loop pelas nossas cabeças da mesma maneira que a terra se entranha pelos poros enquanto regressamos a casa de mochila às costas, subnutridos e após várias noites mal dormidas. A primeira memória que me ocorre de Vilar de Mouros é a de chegar à Ponte Velha com isto assistindo a todos os que nadavam no riacho perto das árvores. Fumando e comtemplando toda a perspectiva ampla enquanto conversava com os meus 3 companheiros de viagem, uma rapariga com tranças passava por mim sorrindo como que a dar-nos as boas vindas a todos a ver nos a chegar de tendas nas mãos. Ouço-a dizer algo em espanhol ao amigo e subitamente apercebo-me o quanto lindo é o sotaque uruguaio, assim como eram os seus cabelos loiros e o sorriso fácil, um prenúncio bastante positivo para o que viria a ser o resto do festival. Fui desprendendo a voz aos poucos à medida que deixava seduzir por esta espécie de liberdade festivaleira que funcionava muito melhor de noite. Num certo dia, talvez mesmo no último, após horas de convívio com uns tipos alentejanos resolvi ir para dentro da tenda com o intuito de ler um livro, mas não me conseguia concentrar para tal...a erva e o vinho fluíam furiosamente, encostei o livro e sem conseguir adormecer muito por culpa dos gemidos de um casal numa das tendas ao lado da minha que assim se entretinham sem qualquer tipo de preocupações. Até que finalmente aos poucos adormeço entrando numa espécie de transe, num plano de realidade estranho em que parecia ter a capacidade de comunicar com grupos de pessoas minúsculas, tipo gnomos, que viviam em grutas junto ao rio que se encontrava perto do nosso acampamento. De repente sentia me num barco flutuando esse mesmo rio, deitado, como se fosse Gulliver, o gigante das viagens enquanto as criaturas iam aos poucos saindo das tocas, com as suas barbas longas e os chapéus pontiagudos para acenar me. Tudo tão assustadoramente real, que, quando despertei fiquei na dúvida se tinha chegado mesmo realmente a adormecer.
O principal motivo que me fez deslocar ao Minho este ano foi o facto de o Bob Dylan ir lá tocar, o que creio que acontecia pela segunda vez em nosso solo em mais de 40 anos de carreira. Numa das edições anteriores de Paredes de Coura já tinha sido a estreia de um outro grande senhor canadiano de Ontário, que se viria a tornar mítica. E se a prestação do bardo profeta americano do Minnesota, tantas vezes comparado a Shakespeare pelo número infindável de obras "do outro mundo" nesta edição do festival seria pelo menos para mim uma desilusão pela sua prestação alienada, quase totalmente desprovida de contacto. O canadiano por sua vez e a banda Crazy Horse brindaram todos os presentes com mais de duas horas de um show imparável, destilando o mais puro rock n' roll à chuva. Diz quem viu que este será mais um daqueles concertos inesquecíveis feitos para perdurar para sempre no imaginário pessoal de todos os amantes de música em Portugal.
Como o Dylan não deixou ninguém gravar nada do concerto dele...ficam aqui alguns apontamentos de dois dos concertos que mais queria ver. PJ Harvey e The Cure.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Fragmentos de pensamentos III
*P.s. Escrevi este texto por volta dos meus 19 anos e isso reflete-se um pouco
Apenas fiz algumas alterações gramaticais para não tentar deturpar o sentimento/impulso de quando o escrevi.
O mundo trata-se de uma ilusão e nós os próprios ilusionistas.
Chego a duvidar se realmente existirá um passado, pois todas as ideias do passado no presente adquirem novas formas sendo por isso condizentes com os diferentes estados de espírito e a mentalidade dos interpelados.
Não existe futuro pois nós é que construímos o nosso próprio mundo assim como a noção de bem e de mal.
Haverá apenas o acto e consequência.
Nunca o meu discurso foi constituído por diálogos deambulantes, cheios de ênfase e vocabulários bem ornamentados. Embora, por vezes, eles se insurjam em rasgos de frontalidade inesperados. O que me leva a crer que afinal sempre estiveram aqui presentes, vencendo esta timidez atípica. Ao invocar as experiências que pairavam algures pelos labirintos da mente dando vida a vozes que embalam nos nossos poemas, libertando e redimindo.
E a música, o que definirá um acorde perfeito, a qualidade agradável dos sons, o consenso para todos os que escutam esse mesmo equilíbrio sonoro?! Ou será apenas a associação das "coisas" em si que torna possível que se coloquem os rótulos de "surrealista", "futurista" ou "punk rock" para a posteridade...creio por isso antes numa vontade mística que nos possa fazer superar toda essa sensação sermos apenas e só o ermo de algo perecível.
Como diria Shakespeare em Hamlet - "This mortal coil".
A criação artística não será mais do uma sublimação desse mesmo vazio, a criança que persiste em nós e que nos leva a (re)criar novos mundos e esquecer assim a permuta da cognição. Muitos de nós acabamos por ignorar tal vontade, pois bloqueando-se esses impulsos supostamente torna-se mais fácil criar-se uma personalidade, moldável apenas e só com as vicissitudes da vida numa tentativa de coerência com aquilo que a realidade exterior nos pressiona a ser.
A minha "persona" ri-se por vezes da tal castidade que visa fixar a personalidade de cada um como algo de imutável - o estigma da personalidade fixa. As intransponíveis almas de cimento não querem transparecer uma rude obrigação social. Mas ela existe! Para mim, para ti e para todo o mundo que nos espera lá fora pronto a nos desfazer em pedaços. Na génese do estereotipado a intuição sem objetividade dá lugar então à castidade frontal. Silêncio. Consegues-me mesmo ouvir?! Eu sei que sim. E sim, sei que muitas vezes consigo ser intuitivo...mas não objetivo. imagens em cadeia me insurgem constantemente...abstractas, divinas, alucinantes, imensas, demoníacas... impossíveis de descrever.
E é entre todas elas que tento encontrar o ponto convergente, o equilíbrio entre os pólos.
Foi sempre o que me fascinou tanto em Blake.
Ele conseguia-o.
Ansiosas por serem milionárias, as donas de casa recriam todas as suas ilusões românticas vendo novelas. Enfiados na poltrona as conversas ao serão servem apenas para tentar travar as distâncias entre pais e filhos, pais que trabalham 12 horas por dia. Assimilados os estereótipos para que numa descarga de consciência possamos forjar todas as conversas artificiais (...)
Que sociedade se exprime hoje em dia nos nossos meios familiares?!
Quem sara as verdadeiras feridas escondidas na ilusão que nos é projetada pelos televisores?!
O que mais permitirá assim esquecer-se o quanto se é explorado por patrões totalitários que forçam a agarrarmo-nos a uma vida de sedentários?!
E por todas estas casas onde passeava nesta cidade, por todas as janelas e por todos os cafés com animação noturna depois do jantar... lá se encontrava o tal ecrã luminoso, o alegre quotidiano de Portugal entre telenovelas, talk-shows, Big Brothers e futebol.
Aldeous Huxley dixit
"A TV será a principal responsável por um declínio da capacidade de memorização das crianças hoje em dia e também nos defeitos da articulação discursiva. A TV leva-nos a sonhar acordados um estranho sonho projetado por um estranho vindo de um lugar estranho invadindo o ecrã da nossa mente.
Podemos já ter entrado numa era em que a informação é despejada no inconsciente colectivo, se assim for esse tal pequeno ecrã não será mais do que uma maquina hipnopédica"
Foi sempre o que me fascinou tanto em Blake.
Ele conseguia-o.
Ansiosas por serem milionárias, as donas de casa recriam todas as suas ilusões românticas vendo novelas. Enfiados na poltrona as conversas ao serão servem apenas para tentar travar as distâncias entre pais e filhos, pais que trabalham 12 horas por dia. Assimilados os estereótipos para que numa descarga de consciência possamos forjar todas as conversas artificiais (...)
Que sociedade se exprime hoje em dia nos nossos meios familiares?!
Quem sara as verdadeiras feridas escondidas na ilusão que nos é projetada pelos televisores?!
O que mais permitirá assim esquecer-se o quanto se é explorado por patrões totalitários que forçam a agarrarmo-nos a uma vida de sedentários?!
E por todas estas casas onde passeava nesta cidade, por todas as janelas e por todos os cafés com animação noturna depois do jantar... lá se encontrava o tal ecrã luminoso, o alegre quotidiano de Portugal entre telenovelas, talk-shows, Big Brothers e futebol.
Aldeous Huxley dixit
"A TV será a principal responsável por um declínio da capacidade de memorização das crianças hoje em dia e também nos defeitos da articulação discursiva. A TV leva-nos a sonhar acordados um estranho sonho projetado por um estranho vindo de um lugar estranho invadindo o ecrã da nossa mente.
Podemos já ter entrado numa era em que a informação é despejada no inconsciente colectivo, se assim for esse tal pequeno ecrã não será mais do que uma maquina hipnopédica"
Personagens para um projecto em BD
Miguel de la Fuente
Presumível assassino em série
Refugiado na Bolívia.
36 anos.Condenado a 6 anos de pena em 1996 por participação em contrabando de armas, 2 vezes detido por assalto à mão armada e posse de heroína.
Descrição física- moreno, olhos azuis,robusto e com feições sul-americanas
1,90m / 93 kls
Vlatko Victovic
Presumível assassino em série
Natural de Vojvodina(Sérvia),actualmente reside em Génova (Itália)
Suspeito de ser correcto de apostas ilegais, tráfico de armas e ligações à Camorra(Máfia Siciliana).Suspeito no atentado ao ministro da administração interna italiano ocorrido o ano passado.Nunca foi detido.
Teve treinamento especial nos serviços das tropas especiais de Montenegro
35 anos
Descrição física-cabelos loiros e olhos verdes,robusto com uma cicatriz característica no queixo resultante de uma rixa de bar com o seu meio- irmão Tomislav.
1,75m / 72 kls
Lady Foresse
De nome verdadeiro Alicia Monterey, é viúva de Sílvio Foresse, preumível barão da droga ligado à máfia siciliana, suspeita-se que seja amante de Vlatko Victovic.Embora costume agir sempre sozinha, especialista em furtos de obras de arte e falsificações no mercado negro.
Especialista em artes marciais(Kung Fu, Takeondo e Fujitsu)
Descrição física - Cabelos castanhos e longos,semelhanças nas feições com a cantora Sinnead' O Connor
1,74m / 62 kls
fire birds
a dreary glare
breaking out
through mystic spaces
between us
a broken wishbone
an amulet to lure - all crooking light
cold december dust
whistling
like quivering leaves
and burning
like desert sands
the stone serpent
slivering
alive like ghosts
where the river's current, fades like memories
poignant provender
of fiery seeds
the blackest of sorrows
a new grain
from the earth
opening oak doors, ´
in silence
fall,
from the tide
of a dream wave
winter deities,
to witness
elusive night visions
under neon shrouds, city passages
that brought us
into one single place
- where we bend
to see some
fire birds.
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