"We are such stuff As dreams are made on; and our little life Is rounded with a sleep." The Tempest Act 4, scene 1, 148–158
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Personagens para um projecto em BD
Miguel de la Fuente
Presumível assassino em série
Refugiado na Bolívia.
36 anos.Condenado a 6 anos de pena em 1996 por participação em contrabando de armas, 2 vezes detido por assalto à mão armada e posse de heroína.
Descrição física- moreno, olhos azuis,robusto e com feições sul-americanas
1,90m / 93 kls
Vlatko Victovic
Presumível assassino em série
Natural de Vojvodina(Sérvia),actualmente reside em Génova (Itália)
Suspeito de ser correcto de apostas ilegais, tráfico de armas e ligações à Camorra(Máfia Siciliana).Suspeito no atentado ao ministro da administração interna italiano ocorrido o ano passado.Nunca foi detido.
Teve treinamento especial nos serviços das tropas especiais de Montenegro
35 anos
Descrição física-cabelos loiros e olhos verdes,robusto com uma cicatriz característica no queixo resultante de uma rixa de bar com o seu meio- irmão Tomislav.
1,75m / 72 kls
Lady Foresse
De nome verdadeiro Alicia Monterey, é viúva de Sílvio Foresse, preumível barão da droga ligado à máfia siciliana, suspeita-se que seja amante de Vlatko Victovic.Embora costume agir sempre sozinha, especialista em furtos de obras de arte e falsificações no mercado negro.
Especialista em artes marciais(Kung Fu, Takeondo e Fujitsu)
Descrição física - Cabelos castanhos e longos,semelhanças nas feições com a cantora Sinnead' O Connor
1,74m / 62 kls
fire birds
a dreary glare
breaking out
through mystic spaces
between us
a broken wishbone
an amulet to lure - all crooking light
cold december dust
whistling
like quivering leaves
and burning
like desert sands
the stone serpent
slivering
alive like ghosts
where the river's current, fades like memories
poignant provender
of fiery seeds
the blackest of sorrows
a new grain
from the earth
opening oak doors, ´
in silence
fall,
from the tide
of a dream wave
winter deities,
to witness
elusive night visions
under neon shrouds, city passages
that brought us
into one single place
- where we bend
to see some
fire birds.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
entre casas de ardósia
rosas que floresciam
entre jardins de concreto
contemplativa elegia ,
entre monumentos erguidos
tingimos todos os rostos de sangue
fingindo não acreditar.
naufrágio após naufrágio
no resgatar das procelas
sem orações
nós regíamo-nos apenas pelas Pirâmides
do antigo Egito
pela aurora
os pássaros de mau agouro
esvoaçavam de novo no logradouro
e em nossas casas
nós ouvíamos passos vagarosos
dos vultos lá fora
eram todos os homens condenados
que caminhavam em direção da forca
(distintamente sorrindo)
Arrepios,
nessas horas noturnas
em que os vaga-lumes
guiam os nossos olhos cegos
abre,
por isso o teu livro de orações
e canta às horas
uma nova canção de embalar
Entre todas as facas escondidas
e o desprezo
mesmo que sigamos caminhando
sob o mesmo sol.
this is my hometown...
but cannot still call it home.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Diários de bordo - A antiga estação de comboios
Antiga estação de comboios
A brisa primaveril num campo florido, o chocalhar das vacas e todas as conversas entre pássaros e insectos. O cigano e a sua égua trotam pela estrada na direção inversa. Minutos depois sento-me à sombra de uma árvore para tentar desenhar a estação de comboios abandonada da vila. O barulho da locomotiva lá ao fundo a atravessar essa linha faz me recordar o pano bordado pela minha bisavó com um pequeno comboio a vapor, o pano que os meus avós utilizavam quase para pôr na cesta do pão ainda bem quentinho enquanto ceávamos. Durante as férias de Verão juntamente com os restantes rapazes na vila por vezes brincávamos perto da estação abandonada. Havia algo de Mark Twain nas nossas brincadeiras junto à linha do caminho-de-ferro ou nos cigarros fumados às escondidas no celeiro abandonado. Para o rapaz da cidade que eu era, surgia assim muitas a oportunidade de sonhar ser como Huck Finn junto dos outros rapazes da aldeia. Ao regressar destas memórias o meu pensamento centra-se de novo no céu azul e os meus olhos perdem-se observando as aves que sobrevoam o horizonte. A paz e tranquilidade de uma natureza não profanada, percebo de novo assim quanto tudo isto é valioso. Por estes lados ainda não existe o stress das cargas horárias nem a devastação dos piratas do asfalto. O regimento das grandes cidades ainda não chegou cá, a famigerada autoestrada do progresso parou no sinal intermitente do espaço e do tempo
A brisa primaveril num campo florido, o chocalhar das vacas e todas as conversas entre pássaros e insectos. O cigano e a sua égua trotam pela estrada na direção inversa. Minutos depois sento-me à sombra de uma árvore para tentar desenhar a estação de comboios abandonada da vila. O barulho da locomotiva lá ao fundo a atravessar essa linha faz me recordar o pano bordado pela minha bisavó com um pequeno comboio a vapor, o pano que os meus avós utilizavam quase para pôr na cesta do pão ainda bem quentinho enquanto ceávamos. Durante as férias de Verão juntamente com os restantes rapazes na vila por vezes brincávamos perto da estação abandonada. Havia algo de Mark Twain nas nossas brincadeiras junto à linha do caminho-de-ferro ou nos cigarros fumados às escondidas no celeiro abandonado. Para o rapaz da cidade que eu era, surgia assim muitas a oportunidade de sonhar ser como Huck Finn junto dos outros rapazes da aldeia. Ao regressar destas memórias o meu pensamento centra-se de novo no céu azul e os meus olhos perdem-se observando as aves que sobrevoam o horizonte. A paz e tranquilidade de uma natureza não profanada, percebo de novo assim quanto tudo isto é valioso. Por estes lados ainda não existe o stress das cargas horárias nem a devastação dos piratas do asfalto. O regimento das grandes cidades ainda não chegou cá, a famigerada autoestrada do progresso parou no sinal intermitente do espaço e do tempo
(por aqui planeia-se uma autoestrada para breve, algo que é visto com agrado pelos habitantes da vila por ser propicio a mais postos de trabalho).
À sombra desta árvore esqueço-me de quem supostamente sou, sinto-me como se tivesse lúcido mas ao mesmo tempo amnésico, sei quem sou, visualizo nitidamente todas as memórias mas não me recordo mais de quem era antes. É como se tivesse acabado de ler um livro que contasse histórias da vida de um outro alguém.
Um pastor, velho conhecido da minha família mais o seu fiel amigo, o cão, passeavam o rebanho pela estrada. A bengala ajuda-o a suportar o peso dos anos e uma nostálgica tristeza transparece através do olhar e no timbre da sua voz, são olhos fustigados pelas ávidas labutas campestres que só o manto de pele que carrega pelos ombros pode servir de testemunha. O manto representa a fidelidade de gerações às lides pastorícias, muito provavelmente já o seu pai o era, tal como o seu avô.
É assim a vida por estes lados, mudam as gerações mas as tradições mantém-se inalteráveis, talvez atrasado esteja só mesmo declínio de outros pontos, talvez esses mesmo declínio nunca chegue mesmo cá.
Singela e intemporal como os dias que por aqui se passam, a antiga estação de comboios, abandonada e em ruínas, paira lá bem ao fundo do horizonte,
Um pastor, velho conhecido da minha família mais o seu fiel amigo, o cão, passeavam o rebanho pela estrada. A bengala ajuda-o a suportar o peso dos anos e uma nostálgica tristeza transparece através do olhar e no timbre da sua voz, são olhos fustigados pelas ávidas labutas campestres que só o manto de pele que carrega pelos ombros pode servir de testemunha. O manto representa a fidelidade de gerações às lides pastorícias, muito provavelmente já o seu pai o era, tal como o seu avô.
É assim a vida por estes lados, mudam as gerações mas as tradições mantém-se inalteráveis, talvez atrasado esteja só mesmo declínio de outros pontos, talvez esses mesmo declínio nunca chegue mesmo cá.
Singela e intemporal como os dias que por aqui se passam, a antiga estação de comboios, abandonada e em ruínas, paira lá bem ao fundo do horizonte,
E torna-se tão fácil entrar numa viagem temporal, imaginando todo os antepassados daqui a virem buscar os seus familiares nos típicos calhambeques, conduzidos por senhores em fatos característicos, com os seus chapéus de coco, bengalas e os bigodes aparados e os cabelos inundados em brilhantina e as senhoras e longos vestidos protegendo-se do sol com as sombrinhas, tudo numa alegre romaria ao fim de tarde.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Diários de Bordo - Vila Nova de Milfontes
Vila Nova de Milfontes
as ruas começam a ficar desertas
pelas nove horas da noite
e a noite lenta
pelas nove horas da noite
e a noite lenta
arrasta se reptiliana
desde a travessa do arremedo
até à esquina
de onde espreitava um bar
o bar dos lobos do mar
e capitães sem medo
e uma vez lá dentro
toda a serenidade é reconfortada
com a impermanência dos licores
entre memórias e palavras multicolores,
o sempre presente desejo
alheio de fugir
a comandar a demanda
num esplendor hipnotizante
erguia-se o luar,
tecendo a superfície de todo um altar
- sem lume para mais um cigarro.
virás tu comigo um dia regressar
a esse reino
virás tu comigo um dia regressar
a esse reino
de bobos e charlatães?!
sorvidos por um culto
que com as trevas reveste
sorvidos por um culto
que com as trevas reveste
estas ruas estreitas, de onde
se ergue o pássaro da noite vetusta
espreitando prazeres
no vascular do corpo celeste
na alegre selvageria da noite,
espremendo uma gota mais
sem cura, entre escolhas nas perdições dos demais
uma resposta procurada no álcool
e escutada
no praguejar durante um jogo de futebol
da escadarias até à praia
nos sulcos das marés movem-se brisas,
e ao ritmo das ondas, arma-se o silêncio
ressoando e respirando
entre nós cegos
dos barcos regendo de surdina
na crispação da noite que agora nos cerca
na crispação da noite que agora nos cerca
um profano desejo nos aniquila
prenúncios de um caos nocturno ,
de quem esculpiu a carne poema
e a inaugurou
tecendo as tramas
pelas ruas imaginárias do teu rosto.
compreendendo a culpa, cantando o blues
mundos subversivos
longitudes, arrastadas pelas recordações
lumes trêmulos
que ardem dentro de um santuário,
o ancião de todas as cidades indefinidas
a dissidência de quem sabe
que estaremos mortos e no inferno
quando eles finalmente se lembrarem de escutar a canção
que provinha deste bar
- the vomit express of a midnight brain
quatro da manhã,
a barmaid pede te para sair,
por todas as ruas, as flechas de fogo
sobrevoam nos
e o luar segue nos
sempre espreitando sobre as falésias.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Massive Attack - Paradise Circus
Ok, independentemente de este blog vir ou não depois a ser censurado quis aqui partilhar a versão original(não censurada) com a entrevista feita a Georgina Splevin,antiga actriz pornográfica .E com excertos de alguns dos seus filmes como por exemplo o clássico The Devil in Miss Jones (1973). De referir também que a música conta com a participação vocal de Hope Sandoval(Mazzy Star).
http://smotri.com/video/view/?id=v1350480d98c
http://smotri.com/video/view/?id=v1350480d98c
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Tao Te King
"Todos consideram o belo como belo
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.
Porque o ser e o nada engendram-se
O fácil e o dificil completam-se
O longo e o curto formam-se um pelo outro.
O alto e o baixo tocam-se.
A voz e o som harmonizam-se.
O antes e o depois sucedem-se.
Por isso o santo adopta a táctica do não agir,
e pratica o ensino sem palavra.
Todas as coisas do mundo surgem
sempre sem que seja ele o autor.
Produz sem se apropriar,
age sem nada esperar,
acabada a sua obra, a ela se não prende
e porque a ela se não prende,
a sua obra permanecerá."
*Tao Te King (Livro da Via e da Virtude)
escrito muito provavelmente na primeira metade do séc VI a.C.
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.
Porque o ser e o nada engendram-se
O fácil e o dificil completam-se
O longo e o curto formam-se um pelo outro.
O alto e o baixo tocam-se.
A voz e o som harmonizam-se.
O antes e o depois sucedem-se.
Por isso o santo adopta a táctica do não agir,
e pratica o ensino sem palavra.
Todas as coisas do mundo surgem
sempre sem que seja ele o autor.
Produz sem se apropriar,
age sem nada esperar,
acabada a sua obra, a ela se não prende
e porque a ela se não prende,
a sua obra permanecerá."
*Tao Te King (Livro da Via e da Virtude)
escrito muito provavelmente na primeira metade do séc VI a.C.
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