Ainda na sequência do post anterior, creio que o melhor exemplo de metal com influências lisérgicas será por exemplo o Stoner. Com a devida vénia ao "deus" Tony Iommi sempre presente, podemos encontrar algumas variantes no Stoner/Rock de Uncle Acid & Dead Beats, Sleep ou Electric Wizard ou no mais arrastado e pesado, conhecido como Stoner/Doom ou apenas Doom Metal em que os holandeses Celestial Season, os suecos Candlemass ou os britânicos Cathedral (de Lee Dorian, vocalista nos primeiros dois álbuns de Napalm Death) poderão servir de exemplos.
Por estes lados oSonic Blast em Moledo solidificou-se como o melhor festival do género. Assisti à primeira edição deste festival (ou edição 0 como preferirem) em 2011. Regressava de Paredes de Coura e encontrava-me no litoral minhoto a passar uns dias enquanto esperava para ver no extrato o meu último ordenado e assim poder voltar para Algarve. Depois de uma noite a dormir no apeadeiro de Vila Praia de Âncora, recebo no dia 26, depois de ir à praia de Moledo, num dos bares perto da praia descubro no proprio dia um cartaz do (ainda somente) concerto.Passado alguns dias, por sua vez deslocaria me a um outro festival, este situado na praia fluvial de Barco (a uns bons 10 kms de Guimarães) para assistir aos suecos Katatonia e a uns espanhóis com o nome de Triangulo de Amor Bizarro (que apesar do nome, soavam mais a Yeah Yeah Yeah's e outras cenas Indie que eram muito faladas na altura do que exactamente a New Order) O Sonic Blast cresceu a olhos vistos desde então e este ano voltam a ter um cartaz que promete. Com Orange Goblin,Kadavar e os japoneses Kikagaku Moyo que fogem um bocado a este estilo, mas que por mim sempre serão bem-vindos ao nosso país.
A prova viva que Shoegaze e Metal conseguem ser compatíveis.
Franceses de Avignon, os Alcest para além de terem um universo muito próprio são um pouco como se alguém tivesse pegado na essência dos Slowdive e os tivesse colocado na misturadora com Ulver antigo, Opeth e In the Woods.
Só faltava mesmo encontrar uma banda que consiga juntar Metal e o Psicadelismo da mesma forma.
Confesso que era (embora ainda de uma forma inconsciente e primitiva) algo que gostava ter conseguido fazer durante a adolescência.
Fico com a impressão de como Metal e o Psicadelismo pode sempre soar bem,cada vez que escuto a versão da Interstellar Overdrive dos Melvins (feita igualmente pelos canadianos Voivod)
*Convém no entanto esclarecer que hoje em dia já existem bandas como por exemplo os Oranssi Pazuzu que eram quase impensáveis existir durante os meus anos de adolescente.
No entanto a textura de alguns albuns iniciais de Pink Floyd, em determinadasalturas a mim por vezes me soa obsoleta, ao contrário de alguns dos seus albuns década de 70, com mais textura e harmonia, um pouco talvez a consequencia de várias influencias que se foram impondo durante essa década, desde o German Kraut, aos gregos Aphrodite's Child (uma banda brilhante de excelentes musicos que nunca terá tido o devido reconhecimento) já por exemplo Hawkwind, foi uma banda que sempre tive sempre dificuldades em saber apreciar, isto apesar de ter-los visto ao vivo no Reverence.
No sentido oposto ao progressivo dos Pink Floyd, por exemplo, existe o minimalismo dos britânicos Spacemen 3 que apesar de repetitivo até quase à exaustão, se torna igualmente "easy listening"e meditativo.
Uma verdadeira ode ao minimalismo e à simplicidade de processos, no seu livro o antigo baixista Will Carruthers explica-nos como esse processo por vezes consistia em tocar o mesmo acorde repetitivamente durante varios minutos, muito provavelmente sobre o efeito de opiáceos, criando assim um estado hipnótico permanente e quase geral, entre performers e plateia.
Apenas alguns dias depois de terem terminado a ultima tournée das suas carreias com um concerto na Birmingham natal. Eis o aniversário do primeiro álbum da banda.
Ontem fez precisamente 47 anos que o heavy metal nasceu.
De novo aqui no Blog em jeito de celebração pelo regresso de Kusturica aos bons filmes.
Após uma (demasiado) longa fase de desinspiração e marasmo esse parece ter retornado à sua linguagem cinematográfica que o caracterizou em tempos áureos.
Agora uma dúvida de natureza linguística, creio que Kusturiça pronuncia-se assim mesmo...com ç assedilhado (pronúncia dos Balcãs).
E Na Via Láctea pronunciar-se-á certamente da mesma maneira que Underground ou Gato Preto, Gato Branco.
No cume da elevada colina do Albaceín, que é a parte mais alta da cidade de Granada, existem as ruínas do que era antes um palácio real, fundado pouco depois da conquista de Espanha pelos árabes e convertido hoje numa fábrica. Este edifício conserva ainda o nome especial como foi conhecido durante séculos, de "Casa do Galo de Vento". Chamou-se assim por causa de uma figura de bronze que representava um guerreiro a cavalo armado de lança e adaga, sobre uma das suas torres, e girando para onde soprava o vento, com uma legenda em árabe que traduzida em um romance castelhano, dizia algo como:
"Diz o sábio Aben-Habuz
Que assim se defende o Andaluz."
Este Aben-Habuz - segundo as crónicas mouriscas- foi um capitão do exército invasor de Tarik, a quem deixou aquele como Alcaide de Granada. Julga-se que colocou aquela figura guerreira para recordar constantemente aos habitantes muçulmanos que estavam rodeados de inimigos. Contam as tradições no entanto uma história diferente e afirmam que a figura de bronze era um talismã de grandes poderes, ainda que em época posterior tivesse perdido as suas mágicas propriedades, degenerando num simples cata-vento.
Os belgas dEUS sempre foram temas de conversa por motivos agradáveis.
Quer fossem as simpáticas "Backpackers" belgas de Gent que numa viagem de carro connosco a Tavira entraram em delírio ao ouvirem os primeiros acordes de "Suds and Soda".Ou então a rapariga de Estremoz fanática por eles que conheci no "Mezcal" do Bairro Alto numa noite logo a seguir a um ano novo que tinha ido passar ao Porto. Ou até mesmo, uma amiga do Porto que me descrevia ao pormenor os concertos de Zita Swoon no Mercedes (antigo bar na Ribeira) nas cartas que me escrevia. A verdade é que foram sempre aquela banda dos anos 90 de que muitos gostavam mas que nunca deixam de ser "outsiders"...e de difícil definição. Mais não fosse pelas origens exóticas. Acerca da cidade belga de Antwerpen não guardo grandes memórias, lembro-me principalmente de ter ficado fascinado pelo tamanho e beleza da estação de comboios, no entanto as primeiras impressões deram-me a entender uma cidade demasiado cosmopolita para aquilo que eu tinha conhecido até então da Bélgica...pois logo na primeira rua dei de caras com dois ou três McDonalds, não sei quantos Burguer Kings e não sei quê quantos mais H&M´S. Por esse motivo terei apenas ficado uma tarde na cidade visitando apenas os pontos turísticos fulcrais. Sabia pouco sobre a cidade, sabia por exemplo que Van Gogh tinha lá vivido (a cidade fica perto da fronteira com a Holanda, sendo o flamengo neerlandês a língua oficial) e que era uma cidade que tinha prosperado durante o Séc. XIX, muito às custas do seu porto marítimo e do comércio de diamantes. Antwerpen era também a cidade de onde eram oriundos muitos dos membros dos dEUS e a propósito disto lembrei-me que uns dias antes em Gent tinha dado de caras com uma revista com a cara do Tom Barman a ocupar a capa quase toda. Ainda tentei ler a entrevista mas os meus conhecimentos de flamenco neerlandês não eram assim tão vastos que me permitissem perceber o que estava lá escrito. Foi então que uma vez em Antwerpen resolvi procurar pelo famoso bar de um dos membros da banda que terá estado na origem do nome do álbum "In a bar,under the sea". Procurei junto ao porto que segundo consta será mesmo a zona nocturna mais conhecida da cidade e apesar de ter descoberto algumas lojas de roupa interessantes e um ou outro bar com um ar mais alternativo não consegui descobrir o tal bendito bar. Soube depois que o nome do mesmo era "La Plaza Real" e que pertencia não ao Tom Barman ( apesar do nome...ahah piada fácil) mas sim ao violinista Klaas Janzoons.