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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

a dança da morte (totentanz)





Pelas paredes da noite
a sempre presente irmã
vai reescrevendo as origens
no sugestivo encontro do além
o extinguir da chama da vida
com o suspiro lânguido de morte.


E o rapaz gritou-lhes,

-vamos dançar - a macabra dança!

Um sonho entre sonhos
diante de um outro mundo, que clama por ti
em que se cerram fileiras durante séculos
e pelos seus corredores labirínticos
ainda se chora alto, no luto dos finados.
- é tão efémera, 
essa vida que em breve tomarei pela mão
por aqui a tua espada de nada te servirá
tolo ou sábio
rico ou pobre
não escaparás à minha sorte.

Espanto da noite,
tolhendo os corpos frívolos
num presságio, numa sonata de gritos
saudemos à praga nocturna!
- O justo e o pecador juntos
tentando escapar à hora desdita.

Resiste! Diz a esperança, esteio sideral da vida.
Não resistirás! Diz a brisa leve de morte.


em cada hemisfério
num nimbo entregue a si mesmo
uma força resiste
intemporal
num movimento arterial
que cresce pelos sentidos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

uma ode moderna (aos nossos sitios imaginados)



                                          Santiago Ribeiro




 (aos nossos sítios imaginados)



entre passos leves
e olhos semicerrados
entre pensamento
e espírito
apenas o vislumbre 
de um outro dia
a agonia 
de quem não mais suportava
o eco 
de uma cidade vazia 

na razia
das veias ligadas
a uma terra
que nunca quis pertencer
 
os cancioneiros 
acordavam 
todas as naturezas mortas
entre cordeiros sacrificados
e a têmpera de um rosto pintado, santificado
num palácio 
entre os leitos da penumbra

 todo o meu corpo
esgotava-se
nesta visão etílica de ti.

...etílica/idílica














domingo, 27 de dezembro de 2015

James Joyce - Dubliners










Já não comprava um livro há quase 4 anos. Os últimos tinham sido o “Just Kids” da Patti Smith e o“Hell’s Angels” do Hunter S. Thompson. Trabalhava para a Ryanair (companhia aérea irlandesa) quando estava no Aeroporto de Faro e lembro-me que os vôos mais baratos eram os para Dublin,Paris- Beauvais, Porto, Madrid e uma cidade qualquer na Dinamarca. Lembro-me também de como era caricato fazer check-ins para Paris-Beauvais com as suas filas intermináveis de emigrantes, pessoas pouco habituadas a andar de avião e com os respectivos farnéis(mesmo à antiga portuguesa).A última vez que estive em Inglaterra foi em 2009 e foi só uma breve passagem de 3 dias, antes disso tinha tido uma estadia de cerca de 2 semanas em Londres em 2006. ( Yes, I’ve only been in England twice.) Sempre tive curiosidade no entanto em visitar a Escócia e a Irlanda.Os voos mais baratos são mesmo os de Faro para Paris- Beauvais,no entanto tendo em conta os recentes acontecimentos pensei que talvez fosse antes uma boa ideia aproveitar os vôos a cerca de 30 euros para ir passar o ano novo a Dublin. Mas o trabalho e a (ainda) pouca disponibilidade financeira fazem com que tenha que adiar uma vez mais este meu sonho.Resolvi por isso mesmo investir neste livro do James Joyce ( que nunca li) .Um dos heróis nacionais da Irlanda.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Night Shifts - Jackie Mittoo & Ernest Ranglin

O mestre das teclas Jackie Mittoo sempre fez magia.
Gostaria de arranjar uns álbuns dele.
Pois é dread...1970.
Por sua vez o Kruder & Dorfmeister e Jazzanova já lançaram os seus álbuns neste milénio.
Algo me diz que tal não teria acontecido senão tivesse existido primeiro o Jackie Mitto.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Night Shifts - The Cure

É inevitável... acabo por sempre perder horas e horas afio a ver todas as raridades no Youtube.
E os The Cure têm sido de facto "um mimo" para este capitão romance de todas as horas perdidas de sono entre as semanas de trabalho. São muitas horas de sono a menos. São...mas vale a pena. 
Por mais estranho que pareça Robert Smith parece-me irremediavelmente cool no TOTP
A década de 80 pertencia-lhe também e provavelmente ele nem o sabia e será aí que residirá muito do seu charme nestes vídeos.










terça-feira, 17 de novembro de 2015

Recomendação cinematográfica XIII - Smultronstället (1957) Ingmar Bergman

O mais surrealista de todos os filmes do Bergman e talvez por isso mesmo um dos meus preferidos.





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Night Shifts - The Gories/ The Vacant Lots/ One Unique Signal









Na pole position de alguns dos concertos que já vi este ano, estão os The Vacant Lots (em Lisboa) e os One Unique Signal, talvez um dos concertos que mais tenha ficado na retina no Reverence deste ano.
No post anterior esqueci-me de falar nos Gories (de Detroit) que fui ver quase acidentalmente e por insistência de um casal porreiro que tinha conhecido em Faro, ele alentejano de Aljustrel e ela uma antiga estudante Erasmus da Eslováquia que acabou por ficar-se pelo nosso país. 
Fornecendo a boleia e a companhia de um bom fim de semana em Sevilha, foram sem dúvida a melhor companhia para a ocasião.
Por convite e insistência do meu camarada "Chouriço" e da sua companheira acabamos por ir a Sevilla. 
Fornecendo a boleia, foram sem dúvida a melhor companhia para a ocasião.

Com o propósito exclusivo de não perder oportunidade de ver esta mítica banda de Detroit ao vivo.
The Gories são daquelas bandas que demarcam estilos. 
A batida caracteristicamente primitiva, quase tribal, guitarra suja e barulhenta, a voz em igual dose tanto desafiante como dançante. 
O rock de garagem, em toda a sua essência, só mesmo para apreciadores deste género. Tudo o que Stooges e os Mc5 já tinham feito e que teve percussão mais tarde nos anos 80 em bandas como The Gories ou os Gun Club.  
Para aquecer as hostilidades mais um concerto dos Dirty Coal Train e do duo espanhol, bem electrizante e "crampsizado" diga-se de passagem,Charm Bag.