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quinta-feira, 7 de abril de 2016

pelas sombras que o mundo perdeu



     pelas sombras que o mundo perdeu
 confundindo
paraísos 
de ausência
      desvelando as essências, 
que o tempo inquisidor 
 a espeito
 nos orvalhos escondeu
a humanidade retém um local secreto
bem secreto, nas origens do mundo
poço sem fundo
 onde se escondem as sombras
aladas, 
a chave sem fechadura
o conto que foi escrito, 
entre portas semicerradas
- a que nome se dará por lá às almas?


vagueio, no vagar lento ´
das sombras
oculto me nelas 
pois nunca 
gostei de me expor em demasia
uso e abuso do sentido 
para pelo mundo passar, como um 
acessório despercebido

ao lúgubre antro impuro 
volto sempre 
aos vestígios interiores 
o pudor de uma nudez 
pútrida
que sempre soube bem 
que nem tudo o que reluz é ouro

 


 sobre esta indolência 
o som da chuva abrandava
os símbolos imaginários, 
agora desfeitos
à revelia de outras sensações
sacrilégio 
que assim 
mais uma vez 
deflagrava
 como uma primitiva visão
 



"do you want some light?!"


tomara eu poder
 eu exigir
 a imortalidade quimérica 
dos sentidos, 
 para depois 
inebriado me extinguir
com o sangue derramado 
dos mortos
tudo o que me resta de ti
é somente noite
que ondula
 e estremece pelos corpos
abraçando uma mudez 
no frémito do mundo
um cântico
pelas suas profundezas agrestes

- partirei assim
uma vez mais
sem crença nem medo



the merry frolics of satan (mélies)



as estrelas caem 
como finos cabelos 
hipnotizadas 
pelo silvar das serpentes
sobre os cadáveres despidos do abismo

as torres de vigia, ardem
os espíritos das florestas aguardam-nos (...)


Les joyeuses fantaisies de Satan (Mèlies)

Tandis que les étoiles tombent
Tels des cheveux
Hypnotisés
Les cheveux des Serpentes
À propos des cadavres crachés de l'abîme

Les tours de guet brûlent
Les esprits des forêts nous attendent (...)










terça-feira, 8 de março de 2016

Fragmentação


Felizmente, durante os anos que vivi em Faro tive ainda a oportunidade de
colaborar em algumas curtas-metragens, nomeadamente com o meu colega Nuno Fernandes. 
Durante a semana (normalmente era às quartas-feiras) no Draculea Café Bar costumava haver sessões de leitura de poesia, moderadas pelo proprietário Valter (que também participava muitas vezes, assinando os seus poemas como Alexandre Dual) havendo também exposições de fotografia e pintura, muitas delas da sua companheira Úrsula. 
Nessas sessões de leitura tive a oportunidade de conhecer o trabalho de escritores cativantes apesar de praticamente desconhecidos como era caso do Joaquim Morgado ou do Luís Ene. 
E de conhecer os meus amigos alentejanos Tiago Marcos e Luis Caracinha, parte integrante dos Esfinge, um projecto musical influenciado pela temática da mitologia grega que terá sido recentemente ressuscitado. 
Haviam muitos outros mais que valeria aqui a pena realçar mas o protagonismo acabava quase sempre por recair nas leituras de Rogério Cão e Rui Cabrita. 
E por sua vez as performances eram quase sempre retiradas de um texto chamado a "A Gaveta da Pedra". 
Foi baseado neste texto que se aproveitou o espaço interino na Fábrica da Cerveja, em Faro, durante a exposição ANDAIME realizarmos a curta-metragem Fragmentação.





O objectivo principal era a participação no Festival Silêncio, um festival baseado em adaptações literárias para o grande ecrã que ocorreu no S.Jorge em Lisboa. 
Editado por José Jesus que colaboraria na também na parte sonora com o David Bastos através do seu projecto Near Silence.
Mais do que realçar uma pequena colaboração minha neste projecto cujo o resultado final até foi satisfatório na minha opinião o que mais me motiva realçar é o quanto me fez e continua a fazer falta nestes últimos anos o convívio com outras pessoas como estas que acabei de aqui referir. 
Que fossem capaz de puxar pela tua criatividade em "contramão" com o habitual "bota-abaixo" competitivo e mesquinho. 

Orgulho me das minhas origens humildes, mas passar tempo com a família não é muitas vezes um móbil criativo.
A falta de partilha fazia-me durante muito tempo sentir-me estagnado, sem inspiração, como se estivesse "seco" por dentro.
E apercebia-me disso sempre que tentava puxar por essa mesma criatividade.












terça-feira, 1 de março de 2016

Recomendação cinematográfica - Zabriskie Point (1969)

 O recente desaparecimento do Lemmy e do David Bowie fez-me recordar uma situação semelhante no cinema quando dois dos meus realizadores favoritos acabaram desaparecendo no mesmo dia(falo de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni).
 Em 1968, Antonioni encontra-se nos Estados Unidos. É a época das revoltas estundantis."Tive diante de mim uma imagem pouco agradável do establishment americano,mas, ao mesmo tempo,uma imagem fantástica da outra América - a que pertence aos jovens." 

 Zabriskie Point é por isso um reflexo dessa sociedade e desse movimento de choque entre ambas as gerações, a do conservadorismo do establishment e a irreverencia de uma juventude que acredita poder mudar o mundo. Para a banda sonora o realizador escolheu os Pink Floyd embora tivesse primeiro pensado em John Fahey. Segundo se consta Fahey terá sentido-se ofendido com as apreciações anti-americanas de Antonioni tendo ambos terminado o jantar numa cena de pancadaria. Para a cena pretendida pelo realizador italiano seria escolhida uma música do Jerry Garcia dos Grateful Dead. Claramente numa das minhas cenas preferidas de todo o cinema,embora o final épico com as coisas a explodirem ao som do Carefull with that Axe, Eugene fosse igualmente marcante.







segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Recomendação cinematográfica - Os Verdes Anos

Tal como a Nouvelle Vague francesa e o Cinema Novo brasileiro em Portugal também terá existido um movimento semelhante. 
Os Verdes Anos de Paulo Rocha foi a primeira longa-metragem de uma nova geração de cinéfilos que visava"melhorar o gosto do público português e alertar para um contexto social opressivo e sem saída".
Paulo Rocha Fernando Lopes seriam talvez os principais nomes dessa geração.
O filme que segundo as palavras do realizador "era uma espécie de parente pobre do M (for murder) do realizador alemão Fritz Lang".
Filme este que terá também a particularidade de apresentar nas suas partituras musicais um guitarrista praticamente desconhecido até à data de nome Carlos Paredes.







terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

perpetuated passion's whelm

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

the tragedy of the nobodies

from all
who trespassed 
through
the immovable truth's

straight 
through 
the sounding 
trumpets of disbelief
 and voices of discouragement
from those 
who rather sleep


it's the measure
of all illusions 
in our disguise

this measure
is always ours, 
so it is 
our right to be

between the cold grip 
and us
'til our last trip
we can still 
pretend
only time can dictate 
how long 'till
this illusion mend 

soul drifting
in longing distances 
rapacious howling 
in rifting
silence 


for the previous sages
whose now sums the rages
to the elder peers 
we are still the offenders 

offend 
from pretend
in this illusion stitch 
to where 
they also can't reach
(but who used who?!)

the accuser claims 
"I did what the other didn't"
 -  but in his indifference 
the accused
only says 
"i could have done it 
if you ever let me dreamed it"

the hidden belief
sways the strings 
for all the accused
hidden 
right beneath
a layer of orchestrations
into a memorial 
   congregation , 

surviving 
the tragedy 
of the nobodies
that nobody  
regards.

we were young,
we were vain, 
we were 
the bruised bodies
in ethereal desperation

the lonely ones, 
in all this lonely towns


"daydreaming days 
of a daydreaming nation.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

I call it malice





                                                                     Edward Munch 


cast up the curtains
to a morning light 
in a cold answer 
a excuse
for her own slander

she was young
she was dead
an empress
in a silky 
deep valley
the violent muse 
overdosed 
in her own perfume
she lay down in all 
her measure
he caught her in his arms
he call it delight
- I call it malice