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domingo, 8 de setembro de 2024

diários de bordo - memórias alentejanas

 


Quando era miúdo sonhava em ser futebolista. 
E qual não foi o miúdo, hoje graúdo, que não tenha tido esse sonho? 
Mas não sonhava em marcar golos, nem fazer jogadas de levantar estádios. 
Sonhava antes com grandes voos planados, sonhava em ser guarda redes e relembro-me do quanto vibrei ao ganhar o meu primeiro par de luvas, as mais baratas que haviam na loja claro está, pois para o meu pai eram para serem gastas entre os jogos de putos de rua, os tais em que paus e pedras servem sempre como postes de baliza. 

Há pouco tempo atrás, enquanto ajudava a minha família nas vindimas anuais da nossa pequena quinta no Alentejo apercebi-me que o meu pai ostentava o meu boné de outrora, cuja existência tinha-me esquecido por completo nesse momento retirei-o da sua cabeça de imediato e procurei em vão pelos sinais das assinaturas que os jogadores do Sporting tinham me dado por alturas de um jogo particular no Algarve. 
Num flashback instantâneo recordei-me desses momentos de infância, e com um sorriso nos lábios tornei a colocar o boné, bem no alto da sua cabeça. 
Relembro este episódio hoje, simplesmente porque ao longo dos anos esta crença sportinguista e principalmente esta minha crença pelo futebol como um desporto de competição íntegro e honesto terá começado igualmente a desbotar lentamente da mesma forma que todas essas assinaturas. 
Relembro-o, também pelas saudades das "jogatanas" que eu e os restantes miúdos costumávamos ter no campo pelado perto de casa durante o Verão depois de regressarmos das incursões clandestinas até à barragem, sempre em finais de tarde quando a temperatura se tornava mais amena e suportável. 
Enfim, saudades também do desporto escolar, dos treinos após as aulas e de fazer desporto em geral. 
O Futebol e o Karaté foram até agora os únicos desportos que alguma vez pratiquei.


terça-feira, 6 de agosto de 2024

alien (nation)


  alien (nation)


alienating myself
from what future corpse 
i might be
this masochistic murder 
of the self 
all wicked nature of men 
 midway warning
to a defiance of being

restless places
where you reborn, shredding a skin
as old as their values, 
as hollow as their faces
no valuable lightness 
is here to bare
no truth it seems to be 
at our pace

seven folded tales
of the untold dream 
are now revealed
torments of such great solitude 
i embrace, 
where faith and order fades
the prayers unreal, 
earning  
for a god's lending hand 
that never feels

furthermore, in a devil's lore 
they claim 
disorderly in vain 
 that our romance is new
   but our hurling flame 
day by day
tightens away
like an
ancient morning dew

tracing to  
where you stood 
in shame, 
only a fury whirling 
a breaking 
loosing game

shortage of wings- why can't you hear me? 

tormented mind's
no returning invasion
still beckons 
the essence
lost 
in all those promises of faith 
made by 
a stranger's prier

in native soils,
the riddles of this earth
unwinds
the weight of silence
 
a shortcut 
to emptiness, 
across empires of consciousness
unraveling your 
only inspiration
you can have
for now
an offering 
to a resigned 
alien nation 
in all it's might


perform the play 
you' re alive 
greet the hours
from the horizons
that through a limbo  
marked the flesh
out of our space 
haunted 
by delight 
still restlessly 
we aspire 
to go now








Todas as reações:


segunda-feira, 29 de julho de 2024

echoes of an early day home

 

This home as no heart
This heart as no soul

This soul shall never apart

I failed to feel, to see, to believe
to breathe
to heal
and seal
the eyes that all have seen

You re alone
always alone

at the end of it all

I curse what i feel
I feel that i curse
all that i loved here
and buried here first

But i still breed the fire
Always the fire

at the end of it all



quarta-feira, 17 de julho de 2024

diários de bordo - lagos




Acordo e espreito pela janela...o deus dos trovões não dá tréguas hoje.

Chuva e vento comprovam como este se encontra hoje chateado com todos nós, e eu sigo tentando comunicar com todas estas entidades omnipresentes desde a tua ausência, nesta ressaca em que a memória do teu rosto vai resistindo como que pairando pela tenacidade de um quarto escuro.


Hoje tinha pensado ir a Lagos. 
Adormecer no areal da Praia do Pinhão.
Não me perguntes o que esta cidade sempre teve de especial, pois eu próprio também não te saberia  responder. 
Talvez seja a mobilidade de quem foge à rotina diária e desses mesmos rostos macambúzios, quase moribundos que te cercam, intimidam e como que te prendem a fala. Assustei-me no outro dia, enquanto tentava falar com alguém e não conseguia...apercebo-me cada vez mais de que as drogas têm esse efeito em mim...cavar cada vez mais fundo o abismo que me separa de toda a nossa comunicabilidade.

Mas Lagos, Lagos....bem, de facto hoje faz sol em Lagos.

E é pela janela do comboio que espreito e te escrevo agora estas palavras no meu caderno de apontamentos e parece até que aqui a tal entidade divina e omnipresente já não se encontra mais chateada conosco.
Um nervoso miúdo invade-me, como me fosse reencontrar me contigo pela primeira vez desde daquela noite que nos conhecemos, talvez não seja Lagos mas antes sim tu o destino pelo qual eu tanto anseio. Algumas dúvidas antecederam esta vinda, que já estava planeada há muito mas que a falta de tempo parecia não querer permitir.
  
 Ao visualizar a Marina, ao sentir de novo essa brisa relembro-me novamente de ti e dos teus cabelos que dantes eram curtos e agora imagino-os longos, inquietos e selvagens...um dia virás aqui comigo também. Os locais falar-te-ão as mais belas praias do país e até mesmo os pequenos grupos de holandeses e alemães, os foreigners, cidadãos foragidos do rebuliço das cidades grandes te irão dizer que este é um lugar tranquilo para se viver.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

o espetáculo fatalista


um prenúncio 

que todos os curiosos escutavam 

ninguém mais necessitava de gritar

para se fazer ouvir

os mestres do engano

julgaram sempre ter este negócio 

como completo


espetáculo fatalista 

mundo ignóbil 

que num trago 

sublima a sua melancolia

sangue límpido que lá fora

continua tresandando a hipocrisia 

corrompendo 

na sua queda pela falsidade


devolvendo um gosto violento à vingança

em toda a sua essência








sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

think harder

think harder 


don't cure your head 

think harder 

don't raise your voice

think harder

nevermind the rumours they spread

think harder

democracy they say, is nothing but a fake illusion of choice

think harder

bleed the mind, to burst the ache

think harder

keep on falling under the same mistakes

think harder

cast the enochian keys, to seal the dimensions

think harder

further the climb, higher the fall

think harder

devoid of inheritance, outrageous perversions

think harder

a sun dance, held by magnificence

think harder 

amidst the haters, preach love

think harder

cold blooded war idols to raise the dove

think harder

a golden cow is sacred, find the valleys in the hidden earth

think harder

nothing is everything, yet they gave us a reality mutiny at birth

think harder

the meaning of it only is today, every day make it gain it's worth

think harder 

with heart's heavy as lead, mark words of love in the sand

think harder

from the roots to the top of trees, the bare fruit is peeled by this hands

think harder 

knock at the door, walk through fire at the devil's floor

think harder

astonished faces, chimed about an erotic secret to heal

harder as it may get 

from nothing 

all feverish traces are now reckoning new places to feel it


(...)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

I, God

 “What is my joy if all hands, even the unclean can reach into it? What is my wisdom, if even the fools can dictate to me? What is my freedom, if all creatures, even the botched and the impotent are my masters? What is my life, if I am but to bow, to agree and to obey?


"I am done with this creed of corruption. I am done with the monster of "we"

"I see the face of God and I raise this god over the earth, this god whom men have sought since man came into being, this god who will grant them joy peace and price.

" This God is one word:

"I"