As cartas das cartomantes
falam-me de ti,
as imagens recorrentes
elevam-me até ti
desde o foco de luz
que a janela deixa transparecer
delineando todo o traço rudimentar,
com que tento redesenhar
o teu rosto
o amor como sempre
foi repentino à chegada
e tal como a morte
nutri-me de todos os seus mistérios
incessantemente debatendo-me
com as suas forças e destrezas
e por vezes cruas realidades
obséquios, os opostos atraem-se
as flores silvestres despontaram
e mesmo depois da navalha que brandiu
entre obscuros dias, deixaram nos com o seu perfume
a fuga até ao ponto mais recôndito
na lucidez do mar silêncio
como quem finalmente se presta a sair da caverna de Platão
tornando-se no primeiro discípulo ao luar
nos seus sentidos
novamente desperta a beatitude
entre a discórdia do mundano
e a eterna busca pelo divino.


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