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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Let it kill you





Max Ernst

every night
it kills me
your endless trace
which I follow 
from body to body
in this maze

to seek harmony
in your power of
individuality,
your sensuality

in another 
midnight ride
looking for her again
looking for her tonight

sipping all the nectar
to burn memories
a new distress
all life on the edge
but never look down
never look down
or cease to find love
a cure too pure
too vain
in this gain

terça-feira, 17 de julho de 2012

Diários de Bordo XI - Brugges

O comboio partia de Paris. Todas as imagens eram como fragmentos de superstições ao ritmo das sextas feiras. Deus tornava-se presente em todas as palavras órfãs. Sórdidas memórias. Ínfimas palavras que floresciam, vagas e difusas como sempre...caros desprezados filhos e filhas da vontade do amor. Optei por isso, em vez de me perder nas memórias das belles femmes parisienses por voltar aos poucos ao comboio e aos rostos que me tinha tentado abstrair olhando pela janela. As ruas precisam de mais luz, pensava eu relembrando-me de Barcelona e do dealer chileno que só fazia o que fazia porque sonhava em tirar a sua companheira brasileira da prostituição. A verdade é que são estas as canções que nunca ninguém dispõe a ouvir... rindo sarcasticamente do drama nas alturas em tudo te parece estranho como um soco no estômago ou o efeito retardado de uma qualquer droga desconhecida. Só conhecia antes o sul de França e as paisagens nocturnas de Langedoc-Roussilon e agora novas e dispersas paisagens se apresentam assim num lento descortinar distante de tudo o que te é familiar. Um novo começo...talvez digo eu... Pensamos tantas vezes no processamento dos dias para que a morte se sature de nós. Pensamos em ser. Nunca apenas em parecer. Queremos domar o mundo. Ao mesmo tempo que somos tomados por toda uma vontade indomável de loucura. Queremos ver tudo num só vislumbre, sentir de forma translúcida nos olhos da pessoa amada. No entanto dessa plenitude ficará sempre apenas uma réstia de memórias insípidas que te acompanharão nas tuas viagens. Nunca consegui entender realmente o motivo porque se viaja, nem sei se haverá necessariamente algum motivo mas a existir seria certamente o tal segredo que todos eles pareciam aqui ignorar enquanto me observavam. Haverá no entanto sempre algo de triste na forma como as pessoas cruzam-se e separam-se nesta linha de vida. Senti-o novamente, por exemplo quando mudei de comboio no norte de França ao despedir-me das duas espanholas de Andaluzia que foram a minha companhia em grande parte da viagem, duas estudantes de Erasmus que das quais não me separaria sem antes lhes prometer ir visitar a Málaga. Mais uma das inúmeras promessas que deixei por cumprir. Sentindo tudo novamente sem o esperar enquanto saia do comboio, como Jean Pierre Leaud num qualquer filme de Truffaut. Com um qualquer filho esquecido de uma obstinada esperança num sonho sereno em fim de tarde solarengo. Era Nord-Pas-de-Calais contrastando com o clima quase sempre sombrio que encontrei em Paris. Não que o mesmo clima não fosse o mais indicado para a cidade em questão mas nesta mudança repentina de cenário, era uma felicidade espontânea que nos transportava nos passos pela cidade num clima de uma primavera de Outubro. Sentei-me no parque, fumando e apercebi-me de quanto eram diferentes as fachadas das casas e o formato das ruas. Era a característica arquitectura flamenga. Convém referir que Lille na língua flamenga se pronuncia Rijsel. E Rijsel tem corpo e alma de belga embora mantenha uma identidade francesa. Por sua vez quando entrei no simpático pais belga tinha em mente sair em Gent mas, improvisando um pouco e não resisti ao apelo que Brugge me fez pela janela, não hesitando quando saltei do comboio. Pedi um mapa da cidade ao chegar ao primeiro quiosque à saída e percorri toda a cidade no sentido diagonal acabando por ter logo uma ideia positiva dos belgas à primeira impressão. Os belgas transpareceram sempre a ideia de tipos humildes. Mas a grande surpresa estar-me-ia reservada no centro ao dar com uma pousada junto aos canais na parte antiga. Desenhavam-se sorrisos nas conversas de bar entre cervejas belgas aonde gostei de ouvir o português falado pela primeira vez em semanas através de uma bela brasileira de Belo Horizonte que conversava com duas espanholas que por sua vez também planeavam ir a Lisboa. Fiz a minha primeira deambulação pela cidade conversando com um mexicano chamado Robélio e um canadiano chamado Stuart. Ambos viajavam juntos desde Bruxelas e Stuart já se tinha comprometido a substituir a pequena e simpática rapariga loira de dreadlocks da recepção que desejava mudar-se para Inglaterra juntamente um outro tipo da pousada. Stuart tornara-se chato com os seus constantes interrogatórios no que à cultura musical dizia respeito por sua vez Robélio que ia mantendo o seu low profile falava-me sobre o seu pais e das viagens que fez com amigos pelos Estados Unidos. Ficava cada vez mais interessado no que ele tinha a dizer em contraste com o discurso sempre pretensioso de Stuart que já apenas praticamente ignorava. Com é que estes dois se davam tão bem e viajavam juntos já há alguns dias era o que me intrigava. Quando regressei à pousada e enquanto me barbeava num lavatório no nosso quarto misto reparei que uma rapariga observava-me atentamente. A primeira coisa que me perguntou foi "Do you do Yoga?!".Contou-me depois a sua história de vida e disse-me que tinha vindo de umas férias na zona da Baviera com o namorado, só que ele teve que voltar mais cedo. Através da sua face rubra e meio embriagada o seu discurso atabalhoado aos poucos tornava-se mais ternurento aos meus olhos. Era transparente de uma forma a que já não estava habituado. Deixei-me facilmente seduzir por ela. Fumamos os nossos cigarros enquanto observávamos o luar no pátio da pousada. Sempre com sorrisos cúmplices, sempre com vontade de algo mais. Fomos dormir. No dia seguinte antes de eu ir para Gent ela contou-me uma história de uma cantora italiana que se suicidou e cujo o nome não me recordo agora e na despedida cantou-me a canção dessa mesma cantora, ela estava na sua bicicleta e eu de mochila às costas. Parti assim novamente e com o peso de mais uma despedida sobre os meus ombros e ligado novamente ao mundo à minha frente. Ela chamava-se Betty.





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Divinity in wilderness






My divinity
                                             in this wilderness
                                                    tangling 
all my thoughts
into her realm.

Winds of Fedra,
staring throught 
the ethereal visions 
in rage.

A rite of alchemists
a map of souls
written in ancient scrolls
large scrolls
in traversed halls.
- were queens once dwell.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Esfinge de Calypso








libertar as nossas almas num voo de pombas

entre as fissuras das muralhas


que nos impedem de amar.




i

Nefastas as memórias 
de uma noite de Fevereiro, 

As harpias 
cantam os versos enfeitiçados.
A neve caí
sobre os corpos cansados. 
Madressilvas
entregam-se aos ventos
na aurora-boreal do esquecimento.

ii

O mistério permanece
adensando-se, incógnito...
o seu coração é um livro caro leitor,
um livro que vos tento descrever. 
A loba mãe e a filha
que nos bosques 
devoram todos os homens comuns,
a quem fizeram
promessas de imortalidade.