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sábado, 25 de junho de 2016

Night Shifts XXIV - Philamore Lincoln



Fugindo um pouco ao assunto Brexit que claramente dominou a ordem do dia, hoje também foi lida a sentença do caso de plágio na música "Stairway to heaven". E este é de facto um assunto polémico pela admiração que sempre mantive pelo músico Jimmy Page e pela música em questão. Mas será que por exemplo o Pablo Picasso também poderia ser acusado de plágio por se ter inspirado nas máscaras africanas para criar o Cubismo?! Claro que não. Entretanto vamos supor que de repente descobriam-se quadros de um pintor basco com temáticas semelhantes à Guernica. Creio que aí teria que se repensar mais um vez todo o conceito de "plágio".E no caso do rapper Vanilla Ice?! Bem,mais do que a forma em si creio que será o conteúdo que importará. Na música ocidental penso que existem 7 notas, 12 sons e 42 designações diferentes. Quais as probabilidades de se repetir a mesma música desconheço. Mas a verdade é que são vulgares os casos de similaridades.Coincidências ou não, creio que a ideia de "plágio"será mais fácil de se determinar pelo conteúdo,pela letra ou pela interpretação do por estas similaridades. Enfim,mas não deixa mesmo de ser um assunto bastante polémico. Eu até acho que gosto mais dos The Yardbirds do que dos Led Zeppelin mas a minha credibilidade em relação a esta banda fica um bocado diminuída, nunca deixarei no entanto de apreciar a Stairway to Heaven. Apesar de toda a interpretação ser muito boa entristece saber que aquela entrada muito provavelmente não terá sido inventada por eles. Há uma certa magia que se perde ao pensar-se nisso. Entretanto após uma nova audição sou levado a acreditar que a acusação de plágio será exagerada até porque ainda descobri uma terceira "versão" desta feita de uma banda chamada Crow em que as semelhanças serão ainda maiores.
O dia de hoje no entanto terá valido também pela descoberta desta música dos Philamore Lincoln com a colaboração do Jimmy Page numa fase anterior aos Led Zeppelin.






quinta-feira, 23 de junho de 2016

Recomendação Cinematográfica XXIV - Ratos de Porão (o filme)

Nunca faltaram histórias para contar nas anteriores passagens da carismática banda do Brasil pelo nosso pais. Por isso mesmo todos os caminhos vão hoje dar ao Bafo de Baco em Loulé
Após 35 anos a "distribuir porrada" a banda continua viva e recomenda-se. 
Imperdível.



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Night Shifts XXIII - Budapeste

Talvez influenciado por um breve relacionamento que mantive com uma rapariga húngara, em 2007 através do programa Erasmus candidatei-me para a universidade Eotvos Loránd em Budapeste. E a verdade é que a minha candidatura chegou a ser aceite. Só que infelizmente nesse ano tinha optado por trabalhar e estudar ao mesmo tempo, e por consequência disso acabaria por não fazer cadeiras suficientes para manter a bolsa. Ora, como era eu que ia sustentando os estudos naquela altura,não só tive que cancelar esse meu sonho de viver em Budapeste como tive que deixar os estudos em "banho maria" e voltar para Portimão no primeiro semestre do ano seguinte para tentar arranjar trabalho e sustentar-me, tudo acabou por correr bem pois consegui voltar para a universidade e terminar o curso mas verdade seja dita desde que voltei para Portimão por motivos semelhantes em 2012 que continuo a ser "assombrado" pela ideia de visitar esta cidade. E por falar em "banho maria" sabiam que existe cerca de 50 termas espalhadas só pela capital da Hungria?! Desconheço a origem da designação "banho turco" mas a verdade é que todas estas termas ficam normalmente em locais de beleza arquitectónica muito singulares e abertas ao público. Aliás toda a cidade, situada junto ao rio Danúbio, aparenta ter uma beleza arquitectónica muito singular. Depois é situada mesmo no coração da Europa, ficando apenas a poucas horas de distância da Roménia e de cidades com Bratislava ou Viena. Se a isto incluíres também Praga e Cracóvia ficamos assim com o roteiro turístico completo.Espero em breve poder finalmente conhecer toda esta parte da Europa que sempre me fascinou. 
Amíg egy napon( Até um dia destes Budapeste em Magyar, isto se o google translate não me tiver pregado nenhuma partida.)



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Cromos da bola

Devia ter cerca de 9 anos quando comecei a tomar atenção ao futebol. Para tal penso que muito terá contribuído a colecção de cromos da Panini do Mundial de Italia 90. Assim entre as minhas selecções preferidas estavam a Jugoslávia do guarda-redes do Sporting, Tomislav Ivkovic, do Prosinecki,do Katanec,do Darko Pancev e de muitos outros e a Áustria do Anton Polster e do Rodax que tinha sido nesse ano o melhor marcador de todos os campeonatos europeus o que lhe valeria depois um contrato com o Atlético de Madrid do Paulo Futre. Não me lembro do que é que a Áustria fez nesse mundial e nestes 25 anos a ver futebol por mais que puxe pela cabeça só me consigo lembrar de mais um nome de jogador austríaco que tenha sido importante. Um tal de Herzog, talvez por ter nome de realizador de cinema que jogou vários anos nos alemães do Werder Bremen. Isto revela, na minha opinião os "cepos" que eles sempre foram. Acho que para além de serem a selecção mais fraca do grupo, talvez sejam mesmo uma das mais fracas de todo o Europeu. 
Enfim, algo não está bem por aqueles lados...

P.s. Sim, um post a falar de bola...mas mais pela nostalgia dos cromos e como tal não irá acontecer muitas mais vezes.







sexta-feira, 17 de junho de 2016

Night Shifts XXII - Follakzoid


Já se sabe como funciona isto dos movimentos musicais, muitas vezes surge um determinado movimento, ditado por duas ou três bandas mais inovadoras e que normalmente são da mesma cidade e depois outro e outro, cada um a tentar romper com o anterior e a tentar ser ainda mais radical, foi o que se passou com o Thrash metal dos inícios de 80 ao passar-se para o Death e consequentemente deste para o Black. Claro que houveram sempre subdivisões...do Death para o Brutal Death/Gore,do Crust para o Grindcore,etc. Depois surgem então os revivalismos, até porque tudo acaba por funcionar como um ciclo. O Psicadelismo actual por exemplo parte muito de influências de bandas como os 13th Floor Elevadors ou dos mais recentes Spacemen 3, o revivalismo do Garage sound, muito dos Stooges e dos Mc5 que influenciariam toda uma vaga de bandas de Detroit na década de 80 que por sua vez também se tornariam fundamentais para todas as bandas mais recentes, mais recentemente tivemos o revivalismo do Krautrock alemão e do Shoegaze e outros que agora não me ocorrem. Tendo em conta o numero impressionante de bandas de qualidade que nos últimos tempos surgiram de Santiago do Chile pergunto-me se já não haverá um nome para este movimento, talvez nem seja movimento visto que as sonoridades até são diferentes...falo dos Chicos de NazcaLa Hell Gang, The Holydrug Couple e claro os Follakzoid que de todas estas bandas será talvez a minha preferida. E se eu tivesse que classificar a sonoridade destes chilenos talvez lhes chamasse de neokraut ou algo assim...não sei...a verdade é que são muito bons e apesar de estar mal de fundos (o problema do costume que é como quem diz com falta de guita, money, pilim...) irei fazer um esforço para tentar ir ver-los amanhã ao Musicbox em Lisboa.






Recomendação cinematográfica XXIII- The Turin Horse (2012)

Bem...e uma vez que já demonstrei que também gosto de programas de comédia e que também tenho sentido de humor, já posso começar a postar de novo os meus poemas chatos, o meus textos depressivos e a falar de filmes que quase ninguém vê. Claro que estou a brincar, mas de qualquer maneira precisava de variar um pouco os temas aqui no blog. Prometo que um dia ainda falarei de culinária. Para já, e voltando aos filmes a recomendação de hoje deve-se talvez à minha recente obsessão por Nietzsche o que me fez procurar o aclamado último filme do húngaro Béla Tarr. Creio que será mesmo o último filme da sua filmografia pois este terá decidido terminar a sua carreira no cinema após as filmagens, as razões para o ter feito ainda desconheço e visto que ainda não consegui encontrar o filme completo, prometo voltar a falar do mesmo assim que o consiga ver. De qualquer maneira fica feita a recomendação. 



quinta-feira, 16 de junho de 2016

Dr.Diácono

Pergunto-me por vezes porque é que raramente consigo ver televisão. Mas ver o quê?! Ver a Sic Radical ?! Para além de agora já não ser teenager, a verdade é que só costumava ver este canal por causa das reportagens durante os festivais de verão, isto antes de me desligar dos hábitos televisivos claro.Além disso nunca fui muito à bola com o Rui Unas ou com o Fernando Alvím, ao Nuno Markl até acho alguma piada mas ele faz rádio. Resta quem então?!...a Teresa Guilherme?! A Júlia Pinheiro?! Por favor, não me façam começar a falar...Quer se goste, quer se não a figura incontornável da televisão portuguesa do pós 25 de Abril é o Herman José.Por acaso, eu tive a sorte de ter nascido num regime "democrático"e"livre"mas não consigo sequer imaginar o que seria hoje em dia a televisão portuguesa se não tivesse existido um Herman José a provocar uma sociedade conservadora com todos os tiques do Salazarismo ainda bem impregnados. Cresci com os programas do Herman e mais uma vez o YT a prestar "serviço público" desta feita a valer-me umas belas gargalhadas enquanto recordava todas as suas personagens. É caso do Provedor Diácono Remédios, o do "let's luque ata traila" ou o célebre comentador futebolístico Esteves. Apesar de desinteressante quando já mais abastado,gordo e loiro resolveu apostar nos talks shows em que imitava o formato do Jay Leno, aonde não perdia uma oportunidade para demonstrar como também poderia ter sido cantor, um pouco se calhar à imagem do seu provavelmente idolatrado Frank Sinatra a verdade é que soube "sair de cena" na altura certa.Isto sem antes ter influenciado toda uma nova geração de comediantes. E pronto...entretanto a televisão portuguesa vai "padecendo" de alguém igualmente provocador e capaz de mexer com as nossas mentalidades.








Recomendação cinematográfica XXII - Tachos, Panelas e outras Soluções (o exemplo islandês)


*Mais do que falarem de quem dormia com quem por exemplo no iate do Cristiano Ronaldo os media portugueses terão perdido uma excelente oportunidade de divulgar o exemplo islandês de como combater uma crise económica. Porque é com os bons exemplos que devemos aprender.



quarta-feira, 15 de junho de 2016

RIP Muhammad Ali

*O maior. E não só como o desportista que era dentro dos ringues.
Mas também pela sua personalidade fora deles.




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vale do Tua


* O preço do progresso dizem eles.




As Figuras de Nazca








As figuras de Nazca, segundo algumas teorias terão sido feitas por volta de 400 ac. São unicamente visíveis do céu.Representam um macaco, com a cauda enrolada,um condor ( a ave que os Antigos afirmavam ser"o mensageiro dos deuses") e uma aranha gigantesca de cerca de 40 metros.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Camões

*Feliz dia do "Zarolho".


Camões e a tença
Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.
Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.
Este país te mata lentamente.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Grades (1970)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Night Shifts XXI - My Dying Bride

Comecei a tocar guitarra graças ao Lígio (o primeiro vocalista de uma banda de Silves chamada Teasanna Satannae seria nessa altura que começaria a fazer as minhas primeiras experiências com ele e com um outro tipo a que lhe costumávamos chamar o "Barba"(curiosamente o seu irmão mais novo era o "Barbicha") este já tinha uma técnica mais avançada do que nós os dois, mas manteve sempre uma grande paciência e uma calma que nos punha à vontade, eu costumava naquela altura ter quase sempre comigo um gravador portátil e recordo-me especialmente de ter gravado uma longa sessão de improvisos em que tivemos sentados com as respectivas guitarras acústicas na mata junto à vila de Odiàxere. Talvez influenciado pelos noruegueses Ulver daria a essa nossa sessão e ao nosso "projecto" o nome piroso e pomposo de Lobos Lusitanos. Creio que até utilizei a designação latina Lupus Lusitani mais tarde quando tentei continuar sozinho esse projecto e curiosamente a tal banda de Silves, conhecidos como Chá do Diabo ( Antropa Belladona, uma planta conhecida pelas suas propriedades halucinogénicas) também utilizava o nome em Latim. Nas sessões da mata apenas limitava-me a acompanhar-los com as notas que eles diziam para tocar mas esta seria a minha primeira "banda" se assim pode dizer. Mais tarde, graças ao Nuno Roberto (Sirius,Dwelling) aprenderia a tocar algumas músicas...assim de repente lembro-me de ter aprendido a tocar músicas dos My Dying Bride( Your River,For You)Burzum (Dunkelheit,War), e outras que agora não me recordo, com o Bob Sneijers(In tha Umbra,Fungus) aprenderia a tocar algumas da sua banda ( Like Ravens Beneath Nightskies, Shadow Caressing Shadow) e seria precisamente com estes dois que faria uma outra banda de curta duração, costumávamos ensaiar em Lagoa aonde o Bob vivia e eu costumava tocar com o baixo Tobias do Sr.Willem (o seu pai) por falta de tempo apenas chegaríamos a fazer duas músicas sem termos chegado a decidir quem seria o nosso vocalista. Eu próprio viria a tornar-me vocalista e por isso talvez tenha optado a dedicar-me mais a escrever letras embora chegasse a fazer um ou outro riff de guitarra com essa banda. Muito provavelmente pela maneira como saí ou talvez apenas por ter ainda tentado fazer uma outra banda e essa não ter também resultado...não sei,a verdade é que desanimei de tal maneira que fiquei vários anos sem tocar numa guitarra. E hoje em dia ainda considero que não sei tocar tudo devido ao estilo de música que ouvia na altura. Assim, se costumava tocar regularmente os chamados acordes de travessão ou barra e treinava escalas musicais (pentatônicas; diatônicas) e nunca tinha dificuldades em sacar riffs de bandas de Black Metal se me pedissem para tocar uma sequência de acordes ritmada já teria mais dificuldades e por favor não me peçam para tocar Ska, Funk ou Bossa Nova ...isto tudo por causa das técnicas que optei por desenvolver,curiosamente só mais tarde é que aprenderia a tocar clássicos como a "Wish you where here" ou a "Smells like teen Spirit".A verdade é que andei a pensar corrigir todas estas lacunas e gostaria por exemplo de voltar a tocar baixo numa banda. Talvez em homenagem ao Sr Willem que só começou a tocar aos 50 anos. Talvez porque agora finalmente acredite em mim próprio e de que poderia de facto fazer algo de novo e positivo na musica. E pode ser que um dia ainda consiga aprender a tocar Bossa Nova em vez de Black Metal na guitarra. Há sempre aquele tipo de coisas que gostaríamos de poder fazer na vida,há quem gostasse por exemplo de ir até à "Grande Muralha da China" eu pessoalmente preferia antes voltar a ter 16 anos e aprender a tocar música como deve ser.
Esta música dos My Dying Bride terá sido muito provavelmente a primeira música completa que aprendi a tocar. 
Que estranho ter começado assim, penso eu hoje em dia.
E esta música trás consigo tantas memórias, tanto de pessoas como de momentos, algumas boas outras menos boas.



Night Shifts XX - Corações Felpudos

 Foi durante o verão aos 13 anos que comecei a desenvolver o meu interesse pela música. Depois de ter começado a ouvir da colecção de vinyl do meu tio entre muitos o "No sleep' till hammersmith" dos Motorhead ,"Killers" dos Iron Maiden, uma compilação qualquer dos The Clash , AC/DC, Pink Floyd, The Doors etc seria a vez do meu primo "desencaminhar-me" ao mostrar-me o "Kill em all" e o "Master of Puppets" dos Metallica e mais tarde Paradise Lost,Suicidal Tendencies e uma k7 que continha um álbum de Ratos de Porão de um lado e os "Corações Felpudos" do outro.Isto na altura em que a "Budapeste" passava regularmente na Rtp 2, juntamente com outras bandas como os WC Noise, Censurados, Braindead, etc. Não levaria muito tempo a descobrir o programa Lança Chamas do António Sérgio nunca me irei esquecer da minha reacção ao ouvir os Napalm Death pela primeira vez...(por acaso não foi Napalm Death mas sim Morbid Angel. Os britânicos Napalm Death ouviria pela primeira vez num bike contest ainda antes de haver o Skatepark de Portimão).Abdicaria de muitas idas à praia durante o Sábado só para ficar a ouvir o programa.O álbum de Ratos de Porão era o "Brasil"(lembrei-me agora) e o "Corações Felpudos" por sua vez poderia não ter a "Budapeste"para tristeza minha mas tinha a "Destilo Ódio" que hoje em dia, com uma diferente cultura musical tanto me faz lembrar os Birthday Party. 
Nunca terá existido outra banda igual em nosso território nacional.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Diários de Bordo XIV - Manchester (Cosmosis Fest)








Cheguei a Manchester com dois dias de antecedência em relação ao festival. Desta vez não houve nenhum planeamento antecipado o que me fez passar a primeira noite a vaguear pelas ruas tendo acabado por adormecer já de madrugada numa paragem de autocarros perto de Salford aonde apaguei cerca de uma hora e tal. Era quinta-feira e previa-se um fim de semana bastante agitado com concertos da Rihanna e um derby Man.United vs Man.City e por estes motivos foi difícil encontrar um quarto a um preço minimamente decente.Eu acabaria por ficar a partir da segunda noite numa pousada no Northern Quarter mas sem deixar de ser ridiculamente roubado na primeira das noites que lá fiquei. Bastou-me no entanto andar aos círculos durante 3 horas para me ambientar à cidade.Foi fácil concluir que as suas principais artérias partem deste Picadilly Station e que esta era essencialmente uma cidade nocturna e movimentada em qualquer dia da semana.Senti também pela primeira vez o que era uma cidade do norte da Inglaterra e a pronuncia Mancuniana soou-me muito mais familiar e acessível do que a de Liverpool. Apenas cerca de 50 kms distanciam ambas as cidades mas se a cidade dos Beatles poderá parecer mais atractiva do ponto de vista turístico a verdade é que Manchester pareceu me mais promissora no que diz respeito à qualidade de vida. Adoraria viver em Manchester assim como adoraria viver um ou dois anos no norte de Portugal em cidades como o Porto ou Guimarães com as diferenças óbvias da remuneração e da relação qualidade/preço. Na segunda noite acabei por ir assistir à festa de abertura do festival num sitio chamado Sound Control aonde apenas consegui chegar a tempo do concerto dos The Vacant Lots. Chegado o dia do festival bastou sair da pousada e atravessar a estrada para dar logo de caras com Mr.Newcombe em pessoa que mantinha uma conversa animada com os proprietários de uma loja de musica à entrada da mesma enquanto fumava o seu cigarro electrónico. Consegui chegar à Victoria Warehouse que ficava mesmo junto a Old Trafford (estádio do Man United) com a preciosa ajuda de um grupo de Brighton que me ajudou a comprar o bilhete na paragem do Tram e que já sabia o caminho até ao recinto por lá terem estado no ano anterior. Na casa dos 22,23 anos eram dois rapazes e uma rapariga, e todos aparentavam manter uma cumplicidade mais fraternal, a rapariga não parecia ser companheira de nenhum dos dois o que também que me deu um pouco mais de liberdade para desenvolver um dialogo com ela, no entanto fiz sempre questão que eles se mantivessem "ligados" à conversa. De Portugal apenas pareciam conhecer os The Parkisons e nem sequer conheciam o Reverence Valada o que achei estranho, pareceram-me ter ficado interessados em vir ao nosso pais depois de lhes ter falado um pouco mais dos line-ups. Chegado ao recinto senti me logo "integrado", 5 fichas para as Foster's e uma animada conversa com um escocês e um espanhol de Barcelona que vinha "expressamente" pelos Jesus & Mary Chain e foi graças a eles que fiquei a saber que afinal a cerveja Foster's era australiana. Em suma, corria tudo bem, o espaço era enorme com varias divisões entre dois andares e algumas exposições pelo meio,ainda havia um terceiro recinto fora do recinto principal e era impossível ver todas as bandas que interessavam ver, comecei por ver os Ringo Deathstarr que já conhecia do Reverence, Unkle Acid & The Death Beats, Rev Rev Rev,Lola Colt (grande concerto),Esben and the Witch, finalmente consegui ver um concerto dos The Raveonettes (a prova viva de que o reino da Dinamarca não é só belas loiras e os Roxette) White Hills, Sleaford Mods e por fim estava eu na fila para os "veggie" burgers conversando com o espanhol e o escocês quando estes me alertaram para o facto de os Brian Jonestown Massacre estarem já a tocar, ainda fiquei uns belos 10 minutos na fila à espera da minha vez, depois foi comer o burger e as batatas fritas a escaldar à pressa e tentar furar pelo meio da multidão, "Government beard"; "Here comes the waiting for the sun" e lá consegui chegar-me perto do palco mesmo a tempo de ver a "Anemone" com a cantora canadiana Tess Parks. Depois foi cerca de uma hora a ver alguns dos clássicos, a tirar fotos e ver um quase sempre discreto Mr.Newcombe a gritar com alguém da banda antes da "She's gone" e por fim partir para um dos palcos secundários para ver os The Underground Youth, foi o terceiro concerto deles que vi desde 2012 e poderiam já ser quatro se tivesse ido a Lisboa ver-los em Abril. E nunca canso de ver-los, embora ficasse sempre presente a ideia que talvez merecessem o palco principal. Depois ainda haveria tempo para os Jesus & Mary Chain e os Allah-Las que apenas acabariam por servir como "digestivos"após uma longa e fastidiosa refeição,em suma, grande festival, grande ambiente. Aliás foi sempre assim por toda a Inglaterra, aconteceria por exemplo mesmo em Londres após o concerto de Enslaved, sem discriminações,sem snobismos, etc... puro amor pela música e pela fraternidade aliás como deveria sempre ser. Gostaria de voltar a ver um festival em Inglaterra em breve. O de Liverpool seria sem dúvida uma escolha interessante.


terça-feira, 7 de junho de 2016

desencontrado





Tento aprender de novo a regra 
na utopia dos desencontros
o jogo da cabra cega
o livro das interrogações 
na falácia das sensações

estou sempre aquém e além
do que escuto na esperança de ser ouvido
insano e profano mas não vivido
hinos do nirvana
a lírica que não mata a fome
canção que engana,
em que ninguém tem nome
a calamidade imoral
a escolha anti social

sou deste mundo e sei de cor onde a vida floresce
sou escumalha, fragmento de dor de quem se esquece
sou o teu espelho imundo, o mesmo que a droga entorpece
sou o sexo ensanguentado, truncado, mutilado
sobre a navalha indolente, os dias sem voltas a dar
em que escolhes encolher os ombros, amiúde e te tentas enganar
nas falsas promessas, estórias de encantar
estórias sobre o abismo dos abismos
a traição épica do hedonismo
em qualquer hora, na fuga a este lugar.