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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

memórias alentejanas


  Quando era miúdo sonhava em ser futebolista. E qual não foi o miúdo, hoje graúdo, que não tenha tido tal sonho?! Mas não sonhava em marcar golos, nem fazer jogadas de levantar estádios. Sonhava antes em grandes voos planados, sonhava em ser guarda-redes e lembro-me bem do quanto vibrei ao ganhar o meu primeiro par de luvas, as mais baratas das que haviam na loja claro está, pois segundo o meu pai eram para serem "arrebentadas" entre os jogos de putos de rua em que paus e pedras serviam como postes de baliza. Essas mesmas luvas no entanto que usava como se fossem as que eram utilizadas pelo guarda redes do Sporting o jugoslavo Tomislav Ivkovic que aos meus olhos tornar-se-ia mítico após ter conseguido "sacar" 100 dólares ao "El Pibe" Diego Maradona numa aposta feita durante uma decisão por penaltis no jogo Nápoles-Sporting para a Taça UEFA.
   Desde essa altura e após um jogo de beneficência para crianças deficientes, recordo-me da vez que pedi aos novos reforços do Sporting no "Verão Quente" de 1993 (o Paulo Sousa e o Pacheco) que autografassem o meu boné oficial do Sporting tendo até ignorado os outros jogadores. Usei-o durante anos isto até o sol desbotar as assinaturas na pala do boné. Há pouco tempo atrás, quando ajudava a minha família nas vindimas anuais da nossa quinta no Alentejo apercebo-me que o meu pai ostentava o meu boné de outrora, cuja existência tinha-me esquecido por completo, retirei-o da sua cabeça de imediato e procurei em vão pelos sinais das assinaturas. Num flashback instantâneo recordei-me destes momentos de infância, e com um sorriso nos lábios tornei a colocar o boné, lá bem no alto da sua cabeça. Relembro hoje este episódio, simplesmente porque ao longo dos anos essa crença sportinguista e principalmente a minha crença pelo futebol como um desporto de competição íntegro e honesto terá também começado lentamente a desbotar exactamente como todas essas assinaturas. Relembro também pelas saudades das "jogatanas" que tinha com os restantes miúdos no campo pelado durante o Verão pelos finais-de tarde, sempre depois das nossas incursões clandestinas na barragem. Enfim são também as saudades do desporto escolar dos treinos e de fazer desporto em geral. O Futebol e o Karaté foram os únicos desportos que eu alguma vez pratiquei.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Guitarra 66


   Gosto bastante do novo projecto de Tó Trips, pois cada nota da sua Guitarra 66 transpira a ambiência de um lisboeta cidadão do mundo. A não perder no Café Concerto do Teatro Municipal na próxima sexta-feira.
   É recomendada uma audição, especialmente para quem goste de Norberto Lobo e dos álbuns acústicos de Six Organs of Admittance.

  Curiosamente, apercebo-me que poderá estar precisamente aqui, a resposta à pergunta do meu post anterior, como alguém que tenta contrariar a natureza do ser nómada que é(e que somos todos),creio que necessitarei sem dúvida de voltar a viajar.Sem rumo.Com já fiz noutros tempos, sentir o prazer do reconhecimento dos lugares e das coisas,releio agora O Anjo Mudo procurando isso mesmo, mas não chega,terei que ser eu a esqueçer todos os espelhos e a procurar antes respostas nas estradas,planícies,horizontes deste vasto mundo por (re)conheçer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Lisbon City Blues

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                                            Eduardo Gageiro



Olisipio,
filha de Ulisses
amarga Dulcineia
narcótica canção de Alan Vega
simples fado da tristeza
na hora da colheita das Perpétuas Roxas
sem ninguém mais para te amar 
nem ninguém mais para te temer
não te esqueças das bebidas 
não te esqueças de dar abrigo
aos teus filhos nocturnos.



Cidade Mãe
embora tantas vezes 
também madrasta.
Terra de corsários,
mercenários 
de corações despedaçados.

Já Alberto Caeiro o sabia.


"O Tejo é de facto o rio mais belo da minha cidade,
mais não seja porque é o rio que corre pela minha cidade"


Displicente
como todos nós
vulgos na memória colectiva de Lisboa.
O Tejo será sempre isso,
o rio ao qual
o nosso olhar se entrega casualmente
aos céus do esquecimento.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Recomendação Cinematográfica III (Tetro - Francis Ford Coppola)

Hoje irei retornar às sessões do Cineclube de Faro para finalmente assistir a uma das estreias no ano passado mais aguardadas por mim.(Talvez só mesmo superado pelos Limites do Controle do Jim Jarmusch)
Para este meu interesse pelo novo filme de Copolla, sem dúvida que contribuirá e muito o facto de o actor a representar o papel da personagem da qual se centraliza a história do filme Tetro ser nem mais do que um dos meus actores americanos preferidos da actualidade, Vincent Gallo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Marriage of Heaven and Hell


William Blake


 "Para quaqer poeta visionário, o amor é a única árvore da Verdadeira Vida..."