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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

thoughtless thoughs


peeking out from the skies

like a kingdom of chimaeras
memories of one-night stands

travelling into my wondering gaze 
making me realize 
that nothing makes sense
with nothing
in this city of lust...





René Magritte

satellite of love ( The Million Dollar Hotel soundtrack )

Satellite's gone 
Up to the sky 
Things like that drive me 
Out of my mind 
I watched it for a little while 
I love to watch things on TV 

Oh...satellite of love 
Ah...satellite of love 
Oo...satellite of love 
Satellite 

Satellite's gone 
Way up to Mars 
Soon it will be filled 
With parking cars 
I watched it for a little while 
I love to watch things on TV 

Ooo...ahh...satellite of love 
Ha...satellite of love 
Satellite of love 
Satellite 






quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cinema Expressionista



Cinema Expressionista
(“ O Expressionismo é um jogo” – Dr.Mabuse)

  
  A época dourada do cinema alemão foi durante o período de convalescença da I Grande Guerra.
  Os primeiros filmes a serem catalogados como expressionistas terão sido Der Golem (1920), Das Cabinet der Dr Caligari (1920),Nosferatu (1922).
   O director mais conhecido vindo desse período foi sem duvida Fritz Lang, que faria também uma carreira bastante produtiva em Hollywood, aonde viveu mais de dez anos como exilado.
   Fritz Lang passou grande parte da adolescência em Viena, talvez mesmo influenciado pelo popular retratista local, Egon Schiele, terá chegado a ambicionar seguir uma carreira como pintor, apesar deste pormenor no entanto negaria sempre a influência do Expressionismo nos seus filmes (“O Expressionismo é um jogo” - dizia a personagem principal do seu primeiro Dr Mabuse) embora filmes como M (For Murder) ficassem demarcadas na história do cinema como referências do movimento, muito devido ao “curioso jogo de sombras” entre a personagem de Peter Lore, o assassino de crianças, e o espectador.
   Esse “jogo” também criava contrastes extremos,entre luz e sombra com o chamado Chiaro Obscuro, todas estas ambientações sinistras e obscuras seriam percussoras dos filmes de terror e os filmes noir norte-americanos.O facto de alguns realizadores e actores terem mesmo exilado-se em solo americano no período da II Guerra Mundial terá contribuído decisivamente para o surgimento de tais estilos, caso por exemplo de Karl Freund (realizador do primeiro Dracúla em 1931) de referir que até o mestre do suspense, Alfred Hitchcock estagiou durante algum tempo nos estúdios da UFA, o estúdio alemão que faliu logo após ter financiado a obra megalómana de Lang, Metropolis (1927). Os enredos dos filmes lidavam com a loucura, insensatez, traição, sendo estes carregados de simbolismo e por vezes seguidores de uma temática que lembrava o lado onírico também muito abordado pelo Surrealismo. Inconfundível sem duvida era o estilo dos cenários utilizados em Nosferatu e Dr Caligari cujas formas geométricas e cujo o imaginário nos faz recordar imediatamente as cidades e ruas que os quadros de Kirchner ou Schiele nos apresentavam.
   No cinema contemporâneo existem claras tentativas de captar o espírito do Expressionismo Alemão em filmes como: Blade Runner (1982) ou Batman Returns (1992) cujas cidades são impossíveis de se dissociarem das emblemáticas imagens de Metropolis, Tim Burton será muito provavelmente o realizador que mais foi beber a essa fonte.Veja-se filmes como Edward Scissorhands e compare-se as semelhanças entre a personagem do Johnny Depp e o sonâmbulo de Dr Caligari ou então os cenários de Sleepy Hollow com os utilizados em Der Golum e Nosferatu, cenários esses que seriam homenageados na musica contemporânea pelos Red Hot Chili Peppers no videoclip The Other Side.           







   Por muitos considerado o expoente máximo do cinema expressionista, Dr Caligari (1920) foi realizado por um desconhecido Robert Wiene, que conta-se, terá substituído Fritz Lang na escolha inicial da produtora.
    As imagens em Dr Caligari são como reflexos em espelhos deformantes. Todas as expectativas são invertidas. A fotografia, que foi assumida por Willy Rameister, trasta-se um Chiaro Obscuro de contrastes violentos e fortemente anti-realistas que acentua ainda mais esse processo de inversão, numa intenção de estética onírica e surreal.
   Toda esta estética visava criar no espectador a perspectiva de um louco que narra a história num manicómio, logo a narrativa parte-se depois do inicio e no epilogo de uma visão de uma mente delirante.
   O filme ficaria imortalizado dentro de um estilo efémero e fugaz que reflectia o estado de desalento espiritual que se vivia na Alemanha do Pós guerra. Influenciaria outros futuros clássicos como o já aqui citado Edward Scissorhands.
Os cenários, criados em pedaços de madeira e pano pelos pintores expressionistas Walter Reimann e Walter Rohrig e pelo cenógrafo Hermann Warm, ainda existem e estão expostos no Museu do Cinema Henri Langlois, em Paris.  



quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conflito de Eros




*Litografia de Marc Chagall 
( un conte des Nuits )




Conflito de Eros


Recuperamos a visão
para toda a descrição do mundo 
como estátuas de sal ruindo
entre valsas dissonantes.


Tu sabes de que país eu venho
aprendeste a língua dos sábios de outrora
e possuis os segredos de todos eles
nas serenatas que cantas com o teu olhar.

Trepando aos céus 
nas noites de Agosto
doce Judith, por ti
continuei a procurar
todo o aperfeiçoamento 
da leis mágicas
- na ressaca da humanidade.


Nas horas
em que me entreguei
à tua memória 
como confidente 
somente a lua sentinela  
nós fomos anjos sensuais 
e desejávamo-nos.  
                                                                                                              
                       

terça-feira, 16 de março de 2010

Passagem de ano

  
-vi todos deporem as suas máscaras, de tal modo fiquei assustado
que tornei a colocar a minha.

Habitas 
dentro de mim
musa,
no ventre 
da fera em mim
em todos os horizontes 
intangíveis
fazendo dos teus homens  
presas levianas 
no antro 
dos teus encantos.

falaram-me outrora 
de um paraíso 
sem réis 
e de almas 
sem os enredos 
que se escondem 
sempre,
nos nossos sorrisos
torpes.

As portas 
de novo abertas,
as melodias 
ganham
outros contornos
hipnóticos...
na embriaguez 
dos nossos 
Paraísos Artificiais.

Fragmentos de pensamentos III

   Não existe corpo físico...existirá apenas uma noção ou ideia de corpo... matéria do que as outras pessoas pensam que és o que tu julgas ser pelo conhecimento adquirido e aquilo que realmente és pelo que praticaste com esse conhecimento... do Ego para o Superego ou como diria Breton de "Eros para Eros". Já Bob Marley dizia: "Eu fui um Rastafari a vida toda, a questão que deve colocar-se é a seguinte: quanto tempo até lá chegar, quanto tempo levarei eu a crescer?!".


   Eu pergunto agora por esse motivo se o poeta cria as coisas ou somente limita-se a recolher-lhas, a transfigurar-lhas e a orientar-lhas...
   Será esta pergunta sinónimo de ânsia demiúrgica?!Será que o poeta se converte através de uma vontade também demiúrgica?! Ou será somente uma (re)criação?! Como alguém que deseja substituir e sublimar toda a vontade de brincar que existe dentro de si desde criança...


(...) Não é o futuro que me preocupa, mas antes a inercia do presente e o medo do passado a ressentir-se e a influenciar já um possível futuro...fugir nunca é solução...o sinal encontra-se intermitente e terei eu ficado engasgado nesta adolescência conturbada mas o tempo não perdoa. Receio de quê?!...não ter medo de nada simboliza falta de amor-próprio e de amor pelos outros mas por sua vez o ter medo de tudo simbolizará um excessivo altruísmo. O simples medo de algo, para além de não simbolizar indiferença, talvez seja uma vontade conservadora de quem tudo questiona e desconfia entrando assim em contradição com a auto negação...Então e o medo do Nada?!

terça-feira, 9 de março de 2010

Eraserhead



                                                   * Eraserhead - David Lynch( 1977)


  Finalmente tive o ensejo de ver a primeira longa-metragem do realizador norte-americano David Lynch. No âmbito do ciclo do Fantasporto que está a decorrer esta semana (de 8 a 12 de Março) no Teatro das Figuras em Faro, o filme que iniciou este ciclo dedicado ao horror e ao fantástico foi nem mais do que o clássico underground Eraserhead.
   Como qualquer conhecedor da biografia de Lynch certamente saberá, durante o seu período académico este realizou 4 curtas metragens:Six Men Getting Sick (1966), The Alphabet (1968), The Grandmother (1970) e The Amputee (1974). Embora eu ainda só tenha tido a oportunidade de ter visto uma destas curtas, a sensação que existe é que estes filmes recorrendo muitas vezes à técnica do Stop motion (técnica de animação de fotograma em fotograma),tentavam seguir aquela que ainda hoje será referência principal no cinema de Lynch,a escola Surrealista. A interpretação dos sonhos freudiana que nos surge em muitos dos seus filmes, lembra-me Cocteau ou Buñuel e por vezes,recordam-me também filmes que Lynch deve ter visto e admirado vezes sem conta na sua Academia de Belas Artes.Como por exemplo, o filme Dadá de Fernand Leger, Ballet Mecanique (1924).
  Para tentar compreender melhor este Eraserheadprocurei então todas as referências que acabei de referir mas de facto não é um filme fácil.Este foi um projecto de cinco anos realizado sobre grandes dificuldades, tendo o realizador recorrido constantemente a ajudas financeiras de familiares e amigos para conseguir finalizar o filme.
  O bizarro,o absurdo e o horror se misturam e o que vem à tona é o lado mais obscuro do subconsciente.Fica-se com a ideia de um sonho distorcido, paramos de pensar, a "história" processa-se como uma hemorragia de sequências e imagens nonsense .Este Cadáver Esquisito Lynchiano mostra-nos como a cabeça do pai de uma criança deformada pode ser utilizada para fabricar lápis borracha, isto tudo nos sonhos da personagem,daí o nome Eraserhead. 

Ok. Pelo menos isto creio ter entendido. Mas que filme estranho.


"in heaven...everything is fine..."





sexta-feira, 5 de março de 2010

Álbuns que mudaram o mundo I




*Caetano Veloso - Transa



     Não, não vou falar-vos do Sgt.Peppers, do Electric Ladyland, Dark Side of the Moon, Raw Power, London Calling ou OK Computer. Para começar mais uma rubrica aqui no Conflito, resolvi começar por falar um pouco sobre Transa(1972) um álbum marcante na longa discografia do cantor baiano Caetano Veloso,numa das suas fases mais irreverentes.
   Conta a história que Caetano na época com 30 anos e exilado em Londres,se deslocou ao Brasil em 1971 para assistir à cerimónia de comemoração do 40º aniversário do casamento dos seus pais.Durante essa estadia seria detido e interrogado no Rio de Janeiro,durante a detenção,os militares do antigo regime terão-lhe sugerido que gravasse uma música que homenageasse a nova rodovia Transamazônica - na época uma construção polémica pelo seu preço exagerado e por ser um projecto claramente "faraónico".Uma enorme rodovia com cerca de 4000 kms, que atravessa transversalmente o Brasil, desde o Paraíba até ao Amazonas. Caetano não terá gostado da imposição e, de volta a Londres grava um LP com o nome de Transa, claramente numa alusão irónica ao nome da rodovia e um trocadilho com o verbo brasileiro transar. Será talvez a forma que Caetano encontrou, para sugerir a um regime tão opressor,tradicional e sorumbático, que tanto perseguiu a ele e a outros nomes importantes da MPB (Música Popular Brasileira) nos finais da década de 60, de que o que necessitava era de mais Transa mesmo.
  O álbum é, em grande parte, cantado num inglês com sotaque,o que dá um carácter mais exótico às músicas já por si só extremamente originais, dentro desse lote destaco naturalmente Nine out of ten.
Acerca desta música Caetano disse o seguinte:


"(...)a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. "




  

terça-feira, 2 de março de 2010

Parou de Chover / Belle de Jour

Parou de chover.
As nuvens desvaneceram.
A noite torna-se novamente nua.
O luar clareou as ruas
e em todas estrelas 
existe um sorriso travesso.
Mesmo na incerteza 
se alguém 
alguma vez 
pensa em mim,
pensarei em ti sempre,
escondido neste refugio
à beira-mar.


                                                            After the rain,1899 G Klimt
                                                                                                                    


Numa árvore 
sem vestimenta,
os ramos tornam-se secos
enquanto as raízes 
continuam penetrando o subsolo,
apenas a mudança de estação
poderá trazer de novo a seiva e a flor...


Belle de jour


respiro o teu ar, sem ninguém à minha volta ato cordões umbilicais na distância das noites à superfície do que em ti semeei, um dançar prisioneiro querendo romper com a cortina dos dias Memória dissidente de um beijo. Apenas e só. Cinema mudo sem espectador.


Diários de Bordo

    Acordo e espreito pela janela...o deus dos trovões não nos dá tréguas hoje.
Chuva e vento comprovam como se encontra chateado com todos nós, e eu vou tentando comunicar como todas estas entidades omnipresentes desde a tua ausência, nesta ressaca silenciosa em que a memória do teu rosto resiste na tenacidade de um quarto escuro.


   Hoje tinha pensado ir a Lagos. Adormecer no areal da Praia do Pinhão.
Não me perguntes o que esta cidade tem de especial, pois eu próprio também não sei responder. Talvez seja pela mobilidade de quem foge à rotina diária destes mesmos rostos  que te sufocam e prendem a fala. Assustei-me no outro dia, enquanto tentava falar com alguém e não conseguia...apercebo-me cada vez mais de que as drogas têm esse efeito em mim...tornar cada vez mais fundo o abismo que me separa da nossa comunicabilidade.

   Mas Lagos, Lagos....bem de facto faz sol em Lagos!

E é pela janela do comboio que espreito e te escrevo agora estas palavras e parece até que aqui a tal entidade divina e omnipresente já não se encontra chateada connosco.
   Um nervoso miúdo invade-me, como se fosse reencontrar-me contigo pela primeira vez desde que nos conhecemos, talvez não seja Lagos mas antes tu o destino pelo qual eu tanto anseio. Algumas duvidas antecederam esta vinda, que já estava planeada há muito mas que a falta de tempo parecia não querer permitir.
  
   Ao visualizar a Marina, ao sentir de novo esta brisa relembro-me novamente de ti e dos teus cabelos que dantes eram curtos e agora imagino-os longos, inquietos e selvagens...um dia virás aqui comigo também. Os locais dir-te-ão as mais belas praias do pais e até mesmo os pequenos grupos de holandeses e alemães, os foreigners, cidadãos foragidos do reboliço das cidades gigantes, te irão dizer que este é um lugar tranquilo para se viver.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

memórias alentejanas


  Quando era miúdo sonhava em ser futebolista. E qual não foi o miúdo, hoje graúdo, que não tenha tido tal sonho?! Mas não sonhava em marcar golos, nem fazer jogadas de levantar estádios. Sonhava antes em grandes voos planados, sonhava em ser guarda-redes e lembro-me bem do quanto vibrei ao ganhar o meu primeiro par de luvas, as mais baratas das que haviam na loja claro está, pois segundo o meu pai eram para serem "arrebentadas" entre os jogos de putos de rua em que paus e pedras serviam como postes de baliza. Essas mesmas luvas no entanto que usava como se fossem as que eram utilizadas pelo guarda redes do Sporting o jugoslavo Tomislav Ivkovic que aos meus olhos tornar-se-ia mítico após ter conseguido "sacar" 100 dólares ao "El Pibe" Diego Maradona numa aposta feita durante uma decisão por penaltis no jogo Nápoles-Sporting para a Taça UEFA.
   Desde essa altura e após um jogo de beneficência para crianças deficientes, recordo-me da vez que pedi aos novos reforços do Sporting no "Verão Quente" de 1993 (o Paulo Sousa e o Pacheco) que autografassem o meu boné oficial do Sporting tendo até ignorado os outros jogadores. Usei-o durante anos isto até o sol desbotar as assinaturas na pala do boné. Há pouco tempo atrás, quando ajudava a minha família nas vindimas anuais da nossa quinta no Alentejo apercebo-me que o meu pai ostentava o meu boné de outrora, cuja existência tinha-me esquecido por completo, retirei-o da sua cabeça de imediato e procurei em vão pelos sinais das assinaturas. Num flashback instantâneo recordei-me destes momentos de infância, e com um sorriso nos lábios tornei a colocar o boné, lá bem no alto da sua cabeça. Relembro hoje este episódio, simplesmente porque ao longo dos anos essa crença sportinguista e principalmente a minha crença pelo futebol como um desporto de competição íntegro e honesto terá também começado lentamente a desbotar exactamente como todas essas assinaturas. Relembro também pelas saudades das "jogatanas" que tinha com os restantes miúdos no campo pelado durante o Verão pelos finais-de tarde, sempre depois das nossas incursões clandestinas na barragem. Enfim são também as saudades do desporto escolar dos treinos e de fazer desporto em geral. O Futebol e o Karaté foram os únicos desportos que eu alguma vez pratiquei.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Guitarra 66


   Gosto bastante do novo projecto de Tó Trips, pois cada nota da sua Guitarra 66 transpira a ambiência de um lisboeta cidadão do mundo. A não perder no Café Concerto do Teatro Municipal na próxima sexta-feira.
   É recomendada uma audição, especialmente para quem goste de Norberto Lobo e dos álbuns acústicos de Six Organs of Admittance.

  Curiosamente, apercebo-me que poderá estar precisamente aqui, a resposta à pergunta do meu post anterior, como alguém que tenta contrariar a natureza do ser nómada que é(e que somos todos),creio que necessitarei sem dúvida de voltar a viajar.Sem rumo.Com já fiz noutros tempos, sentir o prazer do reconhecimento dos lugares e das coisas,releio agora O Anjo Mudo procurando isso mesmo, mas não chega,terei que ser eu a esqueçer todos os espelhos e a procurar antes respostas nas estradas,planícies,horizontes deste vasto mundo por (re)conheçer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Lisbon City Blues

.





                                            Eduardo Gageiro



Olisipio,
filha de Ulisses
amarga Dulcineia
narcótica canção de Alan Vega
simples fado da tristeza
na hora da colheita das Perpétuas Roxas
sem ninguém mais para te amar 
nem ninguém mais para te temer
não te esqueças das bebidas 
não te esqueças de dar abrigo
aos teus filhos nocturnos.



Cidade Mãe
embora tantas vezes 
também madrasta.
Terra de corsários,
mercenários 
de corações despedaçados.

Já Alberto Caeiro o sabia.


"O Tejo é de facto o rio mais belo da minha cidade,
mais não seja porque é o rio que corre pela minha cidade"


Displicente
como todos nós
vulgos na memória colectiva de Lisboa.
O Tejo será sempre isso,
o rio ao qual
o nosso olhar se entrega casualmente
aos céus do esquecimento.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Recomendação Cinematográfica III (Tetro - Francis Ford Coppola)

Hoje irei retornar às sessões do Cineclube de Faro para finalmente assistir a uma das estreias no ano passado mais aguardadas por mim.(Talvez só mesmo superado pelos Limites do Controle do Jim Jarmusch)
Para este meu interesse pelo novo filme de Copolla, sem dúvida que contribuirá e muito o facto de o actor a representar o papel da personagem da qual se centraliza a história do filme Tetro ser nem mais do que um dos meus actores americanos preferidos da actualidade, Vincent Gallo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Marriage of Heaven and Hell


William Blake


 "Para quaqer poeta visionário, o amor é a única árvore da Verdadeira Vida..." 













sábado, 23 de janeiro de 2010

A música e o mito










Orpheu


 As mitologias de quase todos os países do mundo possuem figuras de deuses e semideuses aos quais se atribuem milagrosas habilidades musicais. Nas lendas gregas a figura mais conhecida é a de Orpheu. O seu canto submetia os animais selvagens, detinha o curso das ondas, fazia dançar as árvores e rochas. Quando a sua esposa, Eurídice, morreu, ele desceu aos infernos, enfeitiçou as criaturas do mundo subterrâneo e conseguiu do próprio Plutão a liberdade temporária da sua mulher. A lenda de Orpheu é conhecida em todo o mundo. Existem orpheus gauleses, hindus e até havaianos. Nos mitos hindus, os cantores influenciam no crescimento das plantas, mudam o curso das estações, detêm o sol e fazem cair a chuva. Os mitos irlandeses falam por vezes de harpas milagrosas, e a própria gaita-de-foles era utilizada inicialmente como acompanhamento de rituais celtas.
  
 A corneta do herói Rolando possuía poderes mágicos, a de Huon de Bordéus fazia dançar os seus ouvintes e claro Pied, o flautista de Hamelin, detinha o poder sobre os ratos e as crianças. A Bíblia relata que os muros de Jericó sucumbiram quando os sacerdotes começaram a soprar as suas trompetes. Salomão foi levado à loucura pelos cantos de suas mulheres e os marinheiros gregos eram deslumbrados e arrastados pelo doce canto das sereias.
  Na Índia, as escalas musicais tinham sete sons – na realidade, sete notas com um sentido simbólico, tais como os sete céus, os sete planetas, os sete dias da semana. À música era atribuído um poder mágico e Krishna era comparável a Orpheu.
  
  Sri Swani Sivanada fala-nos do poder da música hindu.
  Sa – ri – ga – ma – pa – dha – na são as suas sete notas musicais.
  Para este mestre "a música derrete rochas…extasia, embala, dinamiza, eleva, inspira, fortalece, revigora, magnetiza…há música nos regatos que correm, no canto das crianças, em todas as coisas."

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Recomendação Literária - Eugénio de Andrade



Pequena elegia de setembro

Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.


Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinha como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos,
mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.



EUGÉNIO DE ANDRADE

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Swans are not dead



Confirma-se !

A mítica banda de Michael Gira irá regressar ao activo este ano com a gravação de um novo álbum e uma tournée no Outono. Para já, não estará previsto o regresso da Jarboe, ela que tem estado muito ligada a projectos de Metal ultimamente.


Os Swans foram, na altura da sua formação, um dos principais projectos a emergirem na cena novaiorquina da No Wave juntamente com nomes como Lydia Lunch(que curiosamente estará em breve pelo nosso território para um concerto nas Galerias ZDB) Arto Lindsay e Sonic Youth. Recorde-se que Thurston Moore chegou a fazer parte do line-up original em 1982.Muitas bandas posteriores do Industrial viriam a citar os Swans desta fase e outras bandas(como Killing Joke por exemplo)como uma grande influência.Para exemplos de fieis seguidores desta escola teremos nomes como os Coil de John Balance que também foram fundados em 1982,os britânicos Godflesh que por sua vez influenciariam nomes como Jesu ou Neurosis,os Erase Errata ou os suiços The Young Gods(cujo o nome foi tirado de um Ep de 1984 –The Young God ). Entre nós a influência dos Swans é constantemente citada na história da formação do colectivo bracarense Mão Morta e é sobejamente conhecida a história de Joaquim Pinto com o baixista Harry Crosby em que este, após um concerto em Berlim, lhe terá dito que tinha cara de baixista, contribuindo assim para a formação do colectivo em 1984.






Depois do album Children of God (1987) a sonoridade mudaria radicalmente entrando num universo mais dentro do Gothic e do Folk com semelhanças a This Mortal Coil, Dead Can Dance e outros ,Gira surpreenderia mesmo os seus fãs mais antigos ao fazer uma cover de Love will tear us apart dos Joy Division. Os Swans dariam por encerrada a sua existência após o álbum ao vivo Swans are dead(1998). 







Com vários projectos paralelos, entre eles a sua editora Young God Recors,Michael Gira é o grande responsável pela descoberta de muitos dos nomes da Neo Folk actual. Nomes como Devendra Banhart, Larkin Grimm e Akron/ Family devem e muito ao seu reconhecimento actual a Michael Gira. Ele próprio tem oferecido a sua colaboração em algumas das gravações e em tournées com o seu projecto pós- Swans intitulado The Angels of Light.

Discografia

Filth (1983)
• Cop (1984)
• Greed (1986)
• Holy Money (1986)
• Children of God (1987)
• The Burning World (1989)
• White Light From The Mouth Of Infinity (1991)
• Love of Life (1992)
• The Great Annihilator (1995)
• Die Tür Ist Zu (1996)
• Soundtracks for the Blind (1996)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

RIP Eric Rohmer



Foi com natural entusiasmo que assisti durante este período de ferias natalícias um documentário na RTP2 em que pude ver grande parte dos trailers da obra de Éric Rohmer seguida de algumas entrevistas. Fiquei curioso de conhecer melhor o realizador especialmente pela sua ligação como critico aos Cahiers du Cinema e como realizador aos restantes realizadores da Nouvelle Vague em que nomes como Rivette, Godard e Truffaut o viriam certamente como um ancião respeitoso pela sua idade mais avançada.
Por este motivo foi com um misto de choque e surpresa que recebi a noticia da morte do mesmo na passada segunda – feira, o facto de não conhecer ainda bem a sua obra será razão pelo qual não ficarei triste mas fiquei quase incrédulo com a coincidência que foi de facto a RTP 2 ter passado de forma premonitória aquele documentário dias antes da sua morte.
Diz-se de Éric Rohmer que este antes de se dedicar ao cinema, foi um escritor “falhado”. Não sei se assim será…já o próprio Godard dizia o mesmo de si próprio, o que é certo é que quando vi pela primeira vez Ma nuit dans chez Maud (1969) senti essa peculiar riqueza da narrativa e sensibilidade apenas ao alcance de um bom contador de histórias.



Viking Moses & Golden Ghost na Sociedade Recreativa e Artística de Faro.


Queria também aproveitar a oportunidade para promover mais um evento Eat my ear em Faro, apesar da triste noticia do cancelamento do concerto da Chelsea Wolfe( segundo parece terá cancelado toda a tournée europeia ) chega-nos no próximo Sábado,dia 16 de Janeiro de 10 aos Artistas de Faro o músico americano Viking Moses! Acompanhado pela sua namorada Golden Ghost.
A não perder!



http://www.myspace.com/vikingmoses

http://www.myspace.com/heygoldenghost

http://www.myspace.com/eatmyear