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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

the skeleton's garden

 tell me 

who knows when heavens cry?

they know it

down there

in skeleton's garden


the key to a sanctuary

oblivion of figures

they lay

under the stones

silent, shred light on the emptiness


testimonial 

remains 

of the forgotten 


tell me, 

who knows

the difference

between wrong and right?

they know it

down there 

in skeleton's garden


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

lobos lusitanos

A minha primeira guitarra acústica foi me emprestada por um amigo chamado Lígio (que chegou a fazer parte de uma banda de Silves chamada Teasanna Satanna) e seria com ele e com um outro tipo que costumávamos tratar pela alcunha de "Barba" que começaríamos a tocar juntos mais frequentemente (curiosamente o seu irmão mais novo era o "Barbicha") eu tinha o hábito de levar um pequeno gravador portátil comigo e lembro me particularmente de uma sessão de improvisos com as nossas acústicas na mata, perto da vila de Odiàxere, aonde o Barba residia. 

Talvez influenciado pelos noruegueses Ulver eu daria a essa nossa sessão e ao posterior "projeto" em si o nome pomposo de Lobos Lusitanos. 
A nossa ideia inicial partia em fazermos algo inspirado na mitologia celta/ pagã e nas lendas tradicionais do Algarve. 
Tanto que tentamos desenvolver igualmente uma fanzine com esses temas a que se daria o nome de "Myth Zine"
A ideia passava por compilar algumas lendas e juntarmos artigos com entrevistas e reviews a bandas underground que nos chegavam, fossem pro outras zines, flyers ou pelo tape trading feito por correspondência postal.
Aos poucos e durante anos comecei então por trocar correspondência com bandas de todos os lados. 

Desde sei lá, Israel, Colômbia, Bélgica, Polónia, Brasil, Espanha, etc

Alguns tornaram se meus amigos, desde o baterista dos Embalmed (Brasil) o guitarrista de Sad Etheus(Israel), a rapariga da zine "Demónios Lusitanos" (acho que era assim que se chamava) tenho alguma pena por ter acabado por perder o contacto com muita dessa malta, alguns provavelmente terei voltado a cruzar me com eles em festivais, concertos etc sem sequer saber quem eram.

Durante muito tempo nunca me considerei nem "músico", nem "poeta", ou "fotografo" ou o quer que seja...talvez por nunca tenha passado de um eterno "projeto de" em que me tenha faltado sempre algo mais. Poderia dizer dinheiro principalmente, mas também disciplina, o eterno síndrome de querer fazer mil e coisas ao mesmo tempo e acabar por nunca fazer nada. Talvez por eu próprio me descredibilizar, isso faz por consequência que muita gente em meu redor acabe por fazer o mesmo comigo. 
Mas a verdade é que ando já há muito tempo a pensar corrigir todas as minhas lacunas e gostaria por exemplo de voltar a tocar baixo numa banda. Recordo me sempre do Sr. Willem ter me emprestado o baixo Tobias para ensaiarmos algumas vezes e se bem me lembro ele só tinha  começado a tocar depois dos 50. 
Pode ser que um dia, até consiga tocar Bossa Nova, em vez de Black Metal
Há sempre aquele tipo de coisas que gostaríamos de poder fazer mais regularmente na vida, há quem gostasse por exemplo de ir até à "Grande Muralha da China" eu pessoalmente preferia poder voltar a ter 15 anos para poder tocar música a sério.

Quando mudei-me de casa no Algarve, passei montes de tempo a revisitar algumas das k7's antigas com um leitor que tinha adquirido com esse propósito pouco tempo antes.

Acabei por descobrir algumas dessas gravações, recordei muita palhaçada, muita risada à mistura mas acabei por descobrir também algumas das gravações que fiz depois sozinho. 

Parecia tudo muito mais simples, pois havia muita imaginação para se fazerem coisas com poucos meios, recordo me até de colocar uma k7 com gravação de um riff meu a tocar repetitivamente durante vários minutos na aparelhagem enquanto improvisava por cima com voz, sem micro, ou tentava fazer uma segunda guitarra. 
Mais tarde, cheguei a ter um pequeno teclado emprestado.
(não tinha guitarra elétrica na altura).
Depois, com o gravador portátil, gravava todo o tipo de sons e compilava. 
O som do elevador, os passos nas ruas, colocava dentro de um bidão e tocava percussão por cima, no mato improvisávamos cânticos, mas um dos meus sítios prediletos para gravar era quase debaixo da ponte dos comboios.
Quando o comboio passava por cima das nossas cabeças.
Nunca entendi, no entanto, nada de programas de gravação e aliás nem sequer tinha ainda computador na altura. 
E, mesmo mais tarde, durante anos continuei sem perceber absolutamente nada. Sempre fui tremendamente primitivo no que a tecnologias dizia respeito, não consigo entender por isso mesmo como me deixei levar pelo engodo das redes sociais durante tanto tempo.

Sou talvez capaz de ter lido uns manuais acerca da Ableton, and that's it....




Segundo uma tradição antiga do folclore ibérico, uma pessoa pode transformar-se num homem lobo através de uma maldição lançada por um dos seus progenitores.
 A pessoa afetada por este tipo de licantropia é chamada assim de "lobo da xente" e é condenada a vaguear indeterminadamente, assassinando outras pessoas.