Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 29 de junho de 2026

a capela sistina estava encerrada

 a capela sistina estava encerrada

o jardim do amor
na sua doce flor
se dava ao vazio 
desta terra árida
de janela aberta,
esperando 
pela primavera
esperando 
para o que der e vier
assombrado pelo tormento
de uma calma implausível

o cão poeta, 
o cão que eles 
nunca viam como poeta
cantou a Miguel Ângelo 
e à sua divina capela sistina


mas ao entardecer  
esta não parecia mais uma capela
e os seus versos 
não se pareciam mais com versos

A natureza torna sempre 
tudo mais selvagem 
e ao mesmo tempo
tudo mais puro 
 na invenção do corpo noturno 
à beira do delírio 
nos confins 
por onde o destino nunca passou, 
apenas um espaço 
relativo 
e vago 
revigorou
a continua viagem, 
até ao jardim da capela solitária
do monstro que sangra 
no silencio da sua jaula

numa prece, 
para a sua espectral 
miragem
apenas 
procurando comover 
os mortos
cantando a Van Gogh 
e à sua noite estrelada de Arles
na demanda 
que sangra ao natural 
à portas da casa da divindade animal
e por fim, suspirar 
uma elegia amorosa
à sua paixão mor
inspiração deleitosa 
a que provinha das Ruas do Capitão Mor 
sombra
que se esquiva, 
 furtiva,  
passageira noturna
 entre solenes recitais 
às sereias da Ria Formosa

negros, 
os olhos vibrantes de deus
percorriam lhe a pele iluminada, 
na praia escondida 
do nosso adeus

nas lentas horas de vigília
dormindo ao relento
as constelação erguem-se
como candeias
que nos iluminam por dentro.





Sem comentários:

Enviar um comentário