Orpheu
As mitologias de quase todos os países do mundo possuem figuras de deuses e semideuses aos quais se atribuem milagrosas habilidades musicais. Nas lendas gregas a figura mais conhecida é a de Orpheu. O seu canto submetia os animais selvagens, detinha o curso das ondas, fazia dançar as árvores e rochas. Quando a sua esposa, Eurídice, morreu, ele desceu aos infernos, enfeitiçou as criaturas do mundo subterrâneo e conseguiu do próprio Plutão a liberdade temporária da sua mulher. A lenda de Orpheu é conhecida em todo o mundo. Existem Orpheus gauleses, hindus e até havaianos. Nos mitos hindus, os cantores influenciam no crescimento das plantas, mudam o curso das estações, detêm o sol e fazem cair a chuva. Os mitos irlandeses falam por vezes de harpas milagrosas, e a própria gaita-de-foles era utilizada inicialmente como acompanhamento de rituais celtas.
A corneta do herói Rolando possuía poderes mágicos, a de Huon de Bordéus fazia dançar os seus ouvintes e claro Pied, o flautista de Hamelin, que detinha o poder sobre os ratos e as crianças.
A Bíblia relata que os muros de Jericó sucumbiram quando os sacerdotes começaram a soprar as suas trompetes. Salomão foi levado à loucura pelos cantos de suas mulheres e os marinheiros gregos eram deslumbrados e arrastados pelo doce canto das sereias.
Na Índia, as escalas musicais tinham sete sons – na realidade, sete notas com um sentido simbólico, tais como os sete céus, os sete planetas, os sete dias da semana. À música era atribuído um poder mágico e Krishna era comparável a Orpheu.
Sri Swani Sivanada fala-nos do poder da música hindu.
Sa – ri – ga – ma – pa – dha – na estas são as suas sete notas musicais.
Para o mestre Sri Swani Sivanada "a música derrete rochas…extasia, embala, dinamiza, eleva, inspira, fortalece, revigora, magnetiza…há música nos regatos que correm, no canto das crianças, em todas as coisas."


