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terça-feira, 16 de março de 2010

Passagem de ano ( the way out is through)

  






-de repente ví todos eles 
deporem suas máscaras, 
de tal modo fiquei assustado
com o que me projetaram
que tornaria
a colocar a minha.

Habitas 
dentro de mim musa,
no ventre 
da fera em mim

dentro do teu ser 
habitam 
todos os de que 
 fizeste presas 
ostentativas
 pelo antro 
dos teus encantos.

falam-me agora 
  de um paraíso de outrora
sem réis 
Shangri-La
de portas abertas,
sempre,


 a ordem divina 
das melodias 
que nos comovem
crescem no paladar 
a prenuncia do amor 
entre outros clamores
 ganham contornos
hipnóticos
na embriaguez 
de todos os nossos 
 Paraísos Artificiais.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a marriage of heaven and hell


William Blake


   "Para qualquer poeta visionário, 
o amor é a única árvore da Verdadeira Vida..." 










                                             


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Recomendação Literária - Eugénio de Andrade



Pequena elegia de setembro

Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.


Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinha como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos,
mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.



EUGÉNIO DE ANDRADE

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

jim carroll




Não era o Joe Dallesandro
Não era o William Blake
Jim Carroll era antes
o Catholic Boy
um anjo da decadência
observando tudo
desde os arranha céus da city.

na fúria silenciosa
da juventude 
a rapariga que outrora leu rimbaud cresceu
e na antecâmara dos horrores 
ela espreitava pela decadência
 vivendo o sonho do rock n roll

Chelsea Hotel
 com veneno 
no sangue  
escolhendo
meditativamente
 o caminho

olha para o homem mártir - açoite no braço
esquecido pela luz
ilumina lhe a alma
procura de novo
o canto do bezerro
lúgubre, como a brisa que queima a vela
do rapaz órfão



- Fala-me Jim...
Fala-me das tuas curtas-metragens 
sem títulos,
das nossas trevas escondidas, 
e dos passeios 
ao Jardim Zoológico
Fala-me 
de todas as horas
em que não nos podíamos tocar

estas são as nossas
ruas sem sono Jim,
conta-me 
uma vez mais
todos 
os teus sonhos urbanos.


é o amor 
às portas de casa
vendido em pequenas bíblias
por meninas 
de vestidos em espartilho

Por favor sê breve,
breve 
como as nossas vidas

como asas
que estremecem
num adeus.




                                                       "Always remember to keep your river on the right..."



“First he tried to be pure now he just wants a cure
He's wasted, his skin's sore, he's flat-out poor
When you live in doubt that's when your luck runs out
He's on the roof alone, outside the zone
Now he's on the street again when he calls him then
Billy just cannot resist 
Now he's an orphan sleeping with the coffins
Just like Oliver Twist”

(Falling down Laughing)



From: Jim Carroll Band - Dry Dreams (1982) LP Vinyl
Opening Poem: Lorraine



Seven blonde women
They gather in the square
They raise their hands up to the sun
Their skin is so thin and white
You know their fathers must surely be wealthy
I watch the others stand around and form a crucifix
A serpent of vapor
Some stray birds rise
The one on the end, the fine one on the end
She called me over, she pulled me aside
She said, You know, I have to make it all look different
It seems that every time I lay down
On it, and its like a snake in water
And when I look out of it,
It's like the one from last week
Was breathing again
And she said she had some white light
You know, she said that she had some morphine
But she didn't have no gimmicks
So she just took this razor
And she laid it on a white vein
And then she took a black orchid
And she just ripped apart that flower
And then she took the white light
Then she said, Hey, later for the morphine
She took the razor and slit open her white vein
She slit open her white vein
She put the flower through the slit vein
She poured the white light through the red stem
She put the white light through the red stem
She just poured it through the red stem
I was talkin' with my angel
I was talkin' with my angel then . .








quarta-feira, 16 de setembro de 2009

luar de outono


She was the mirror of all her vanity/
mother nature raped in all her purity





pelas horas do sonho
e sob todas as faces da lua
um manifesto de corpos  
fulgurantes
consumindo-se
na conspiração animal 
dos desejos revigorantes.

Entre as névoas
e os céus vespertinos
dançamos por ti
filhos de uma celestial divindade
como uma benção a sangue no Nilo
- luminescência,
que queima as asas do anjo 

pela inocente vigília
num silêncio só nosso 
nas orlas das marés sem idade,
ouvem se os lobos selvagens
que silenciosamente continuam a uivar.

Nesta feira das vaidades.
Nós sabemos quem nos odeia.
Nós sabemos quem nos consome.

Luar de Outono,
entre as horas 
negadas à aurora
uma brisa de cinza cintilante
num instante ,
retratado a sepia.



ventos de norte sopram de novo





Nas vozes dos campestres
ouve-se anunciar
que através dos bosques
virá uma nova companhia de teatro à terra
Falar-nos-á de tenras ilusões? Ou nos fará rir?
Com os seus jograis esquecidos
na indiferença da audiência
e as suas actrizes,
calêndulas serenas no limiar da noite
sonhando com o gato do Cheshire.

Vejo nas suas crianças que brincam na relva
a policromia que alimenta
a imaginação nos dias baços
que rejuvenesce nesta mensagem
e na sensação de sentir
que chegou a hora para nos amarmos

Vejo por detrás desse teu véu prateado
bem nítidas,
as origens das nossas esperanças
jogos entre luz e escuridão
sensações de me dividir
intimamente
nas vidas paralelas
que me fizeram esquecer de ti...

Ventos de norte que sopram de novo

O sopro madrigal
pelas manhãs de nevoeiro
a revolta dos sentidos
no terminar da planície, uma nova paisagem recomeça
outrora esquecida
neste vasto mundo
de sucessivas imagens lacónicas.

Espíritos indígenas reconhecem-se, nas distâncias recônditas do mundo
o apego que se encontrava a Este, escutado no lamento do ermita
pelas horas do desassossego
Cavalos seguem vagueando pelas planícies

Ventos de norte que sopram de novo 



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

dreamers (visions from this side of paradise)







Les Amants Réguliers(Phillipe Garrel)
                            


C’est le Amour Fou

arriving for us,
passengers
in the prime of our passions
come hither, all words
shall be drawned in walls
- but the essence,yet is still to be found.
quite amused
I rediscovered
a fleeting memory,
recalling
the wild beauty
which whispered at me
with her long untidy hair full of leaves...

“Lover, you can go to sleep now…
I’ll soon be back again!”

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

the poetry place




This is for you
it is my full heart
it is the book I meant to read you
when we were old
Now I am a shadow
I am restless as an empire
You are the woman
who released me
I saw you watching the moon
you did not hesitate
to love me with it
I saw you honouring the wind-flowers
caught in the rocks
you loved me with them
At night I saw you dance alone
on the small wet pebbles
of the shoreline
and you welcomed me into the circle
more than a guest
All this happened
in the truth of time
in the truth of flesh
I saw you with a child
you brought me to this perfume
and his visions
without demand of blood
On so many wooden tables
adorned with food and candles
a thousand sacraments
which you carried in your basket
I visited my clay
I visited my birth
and you guarded my back
as I became small
and frightened enough
to be born again
I wanted you for your beauty
and you gave me more than yourself
you shared your beauty
this I only learned tonight
as I recall the mirrors
you walked away from
after you had given them
whatever they claimed
for my initiation
Now I am a shadow
I long for the boundaries
of my wandering
and I move
with the energy of your prayer
and I move
in the direction of your prayer
for you are kneeling
like a bouquet
in a cave of a bone
behind my forehead
and I move toward a love
you have dreamed for me


Leonard Cohen