Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Diários de Bordo XIV - Manchester (Cosmosis Fest)








Cheguei a Manchester com dois dias de antecedência em relação ao festival. Desta vez não houve nenhum planeamento antecipado o que me fez passar a primeira noite a vaguear pelas ruas tendo acabado por adormecer já de madrugada numa paragem de autocarros perto de Salford aonde apaguei cerca de uma hora e tal. Era quinta-feira e previa-se um fim de semana bastante agitado com concertos da Rihanna e um derby Man.United vs Man.City e por estes motivos foi difícil encontrar um quarto a um preço minimamente decente.Eu acabaria por ficar a partir da segunda noite numa pousada no Northern Quarter mas sem deixar de ser ridiculamente roubado na primeira das noites que lá fiquei. Bastou-me no entanto andar aos círculos durante 3 horas para me ambientar à cidade.Foi fácil concluir que as suas principais artérias partem deste Picadilly Station e que esta era essencialmente uma cidade nocturna e movimentada em qualquer dia da semana.Senti também pela primeira vez o que era uma cidade do norte da Inglaterra e a pronuncia Mancuniana soou-me muito mais familiar e acessível do que a de Liverpool. Apenas cerca de 50 kms distanciam ambas as cidades mas se a cidade dos Beatles poderá parecer mais atractiva do ponto de vista turístico a verdade é que Manchester pareceu me mais promissora no que diz respeito à qualidade de vida. Adoraria viver em Manchester assim como adoraria viver um ou dois anos no norte de Portugal em cidades como o Porto ou Guimarães com as diferenças óbvias da remuneração e da relação qualidade/preço. Na segunda noite acabei por ir assistir à festa de abertura do festival num sitio chamado Sound Control aonde apenas consegui chegar a tempo do concerto dos The Vacant Lots. Chegado o dia do festival bastou sair da pousada e atravessar a estrada para dar logo de caras com Mr.Newcombe em pessoa que mantinha uma conversa animada com os proprietários de uma loja de musica à entrada da mesma enquanto fumava o seu cigarro electrónico. Consegui chegar à Victoria Warehouse que ficava mesmo junto a Old Trafford (estádio do Man United) com a preciosa ajuda de um grupo de Brighton que me ajudou a comprar o bilhete na paragem do Tram e que já sabia o caminho até ao recinto por lá terem estado no ano anterior. Na casa dos 22,23 anos eram dois rapazes e uma rapariga, e todos aparentavam manter uma cumplicidade mais fraternal, a rapariga não parecia ser companheira de nenhum dos dois o que também que me deu um pouco mais de liberdade para desenvolver um dialogo com ela, no entanto fiz sempre questão que eles se mantivessem "ligados" à conversa. De Portugal apenas pareciam conhecer os The Parkisons e nem sequer conheciam o Reverence Valada o que achei estranho, pareceram-me ter ficado interessados em vir ao nosso pais depois de lhes ter falado um pouco mais dos line-ups. Chegado ao recinto senti me logo "integrado", 5 fichas para as Foster's e uma animada conversa com um escocês e um espanhol de Barcelona que vinha "expressamente" pelos Jesus & Mary Chain e foi graças a eles que fiquei a saber que afinal a cerveja Foster's era australiana. Em suma, corria tudo bem, o espaço era enorme com varias divisões entre dois andares e algumas exposições pelo meio,ainda havia um terceiro recinto fora do recinto principal e era impossível ver todas as bandas que interessavam ver, comecei por ver os Ringo Deathstarr que já conhecia do Reverence, Unkle Acid & The Death Beats, Rev Rev Rev,Lola Colt (grande concerto),Esben and the Witch, finalmente consegui ver um concerto dos The Raveonettes (a prova viva de que o reino da Dinamarca não é só belas loiras e os Roxette) White Hills, Sleaford Mods e por fim estava eu na fila para os "veggie" burgers conversando com o espanhol e o escocês quando estes me alertaram para o facto de os Brian Jonestown Massacre estarem já a tocar, ainda fiquei uns belos 10 minutos na fila à espera da minha vez, depois foi comer o burger e as batatas fritas a escaldar à pressa e tentar furar pelo meio da multidão, "Government beard"; "Here comes the waiting for the sun" e lá consegui chegar-me perto do palco mesmo a tempo de ver a "Anemone" com a cantora canadiana Tess Parks. Depois foi cerca de uma hora a ver alguns dos clássicos, a tirar fotos e ver um quase sempre discreto Mr.Newcombe a gritar com alguém da banda antes da "She's gone" e por fim partir para um dos palcos secundários para ver os The Underground Youth, foi o terceiro concerto deles que vi desde 2012 e poderiam já ser quatro se tivesse ido a Lisboa ver-los em Abril. E nunca canso de ver-los, embora ficasse sempre presente a ideia que talvez merecessem o palco principal. Depois ainda haveria tempo para os Jesus & Mary Chain e os Allah-Las que apenas acabariam por servir como "digestivos"após uma longa e fastidiosa refeição,em suma, grande festival, grande ambiente. Aliás foi sempre assim por toda a Inglaterra, aconteceria por exemplo mesmo em Londres após o concerto de Enslaved, sem discriminações,sem snobismos, etc... puro amor pela música e pela fraternidade aliás como deveria sempre ser. Gostaria de voltar a ver um festival em Inglaterra em breve. O de Liverpool seria sem dúvida uma escolha interessante.


Sem comentários:

Enviar um comentário