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sábado, 19 de setembro de 2009

Fragmentos de pensamentos - 2001

Era um domingo de manhã 
e a magia do teu olhar 
jamais será esquecida
esplêndida nas cores 
que de ti emanavam,
o encantamento dos teus lábios 
afrontava
enquanto bebias 
a tentação no meu olhar

- antes de ti, 
antes das manhãs nubladas
numa prolongada ausência
na violência abrupta dos dias 

Ainda acreditas 
tu no livre-arbítrio
Quando tudo 
por vezes 
parece permanente
e imponente 
como a noite 
de onde me surgiste? (…)


(…) Como um sonho prostrado à porta de casa 
aqui jaz a inocência!
Vivência que renasce
e que se materializa 
sempre
somente 
a um passo da alienação total
mas os sons permanecem…vagos…
ecoando no sótão desta casa vazia…
mais do que uma luz
é a voz pagã da esperança…
trágico deslumbramento
de figuras desmembradas pelo destino,
sugadas e enterradas algures…
assassinadas pelo porvir
que ao mesmo tempo insiste 
em germinar novas sementes,
exíguas formas de amor...
ávidas e trémulas
reflexos de uma noite em flor...
fragmentos triunfais 
de uma redenção celestial
descendo vertiginosamente,
recolhendo um a um 
todos os sonhos esquecidos
no resguardo do espanto...
embarco de novo 
nesta viagem noctívaga,
o retorno ao ponto de origem,
aonde 
pernoita ainda 
a nossa inocência...
Verdes campos…relegados ao abandono
Não te sentes tentada a vir comigo
mais uma vez explorá-los?
Panteões do Paraíso
aonde cada mármore,
cada pedra lacónica ganha vida…
aonde todos os métodos infligidos 
na falácia do nosso dia a dia
resistem às súplicas 
por mais um favor...
por mais um dia
Pudesse eu transformar 
toda esta raiva contida
de quem por vezes 
se esquece de saborear 
verdadeiramente as coisas
em cantos e odes para todos os operários 
que perfilam 
no inferno 
da indiferença 
desta cidade!

(…) Hoje junto-me aos meus amigos para ouvir falar mal de tudo o que nos rodeia, critica-se o governo, critica-se o sistema educacional, os patrões, os nossos pais, os nossos filhos (sim, porque já há entre nós quem os tenha) e toda a nossa sociedade de “débeis mentais”.
Sendo nós incapazes de olhar para a realidade do nosso pais com uma força empreendedora e construtiva abundam no entanto ideais passados em folhas de Xerox , este primado da oratória em detrimento de uma força empreendedora que as realize arrisca a falência de todas as ideias realmente inovadoras…”este é um país amputado, sem pernas para andar” dizemos todos nós em uníssono…mas não seremos nós que estaremos realmente a cortar as pernas a este país?...Podia levar horas a interrogar-me e a chegar a conclusões que na pertinência e legitimidade da nossa revolta nos pudesse realmente fazer “andar” até a algum lugar mas a fadiga atinge-me novamente, tal como a nostalgia , que não é facilmente disfarçada por todas estas conversas de índole politica.

(Janeiro 2001)









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