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terça-feira, 2 de março de 2010

Diários de Bordo

    Acordo e espreito pela janela...o deus dos trovões não dá tréguas hoje.
Chuva e vento comprovam como se encontra chateado com todos nós, e eu vou tentando comunicar como todas estas entidades omnipresentes desde a tua ausência, nesta ressaca silenciosa em que a memória do teu rosto resiste na tenacidade de um quarto escuro.


   Hoje tinha pensado ir a Lagos. Adormecer no areal da Praia do Pinhão.
Não me perguntes o que esta cidade tem de especial, pois eu próprio também não sei responder. Talvez seja pela mobilidade de quem foge à rotina diária destes mesmos rostos  que te sufocam e prendem a fala. Assustei-me no outro dia, enquanto tentava falar com alguém e não conseguia...apercebo-me cada vez mais de que as drogas têm esse efeito em mim...tornar cada vez mais fundo o abismo que me separa da nossa comunicabilidade.

   Mas Lagos, Lagos....bem de facto faz sol em Lagos!

E é pela janela do comboio que espreito e te escrevo agora estas palavras e parece até que aqui a tal entidade divina e omnipresente já não se encontra chateada connosco.
   Um nervoso miúdo invade-me, como se fosse reencontrar-me contigo pela primeira vez desde que nos conhecemos, talvez não seja Lagos mas antes tu o destino pelo qual eu tanto anseio. Algumas duvidas antecederam esta vinda, que já estava planeada há muito mas que a falta de tempo parecia não querer permitir.
  
   Ao visualizar a Marina, ao sentir de novo esta brisa relembro-me novamente de ti e dos teus cabelos que dantes eram curtos e agora imagino-os longos, inquietos e selvagens...um dia virás aqui comigo também. Os locais dir-te-ão as mais belas praias do pais e até mesmo os pequenos grupos de holandeses e alemães, os foreigners, cidadãos foragidos do reboliço das cidades gigantes, te irão dizer que este é um lugar tranquilo para se viver.


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