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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fragmentos de pensamentos III


*P.s. Escrevi este texto aos 18 anos e isso reflecte-se na estrutura do mesmo.
Prometi a mim mesmo que tentaria não alterar mais textos de forma a não deturpar os seus conteúdos originais.

De qualquer maneira penso que as ideias essenciais já estavam aqui presentes.
Aliás já estavam presentes até muito antes de ter escrito o texto.


O mundo trata-se de uma ilusão e nós os próprios ilusionistas.
Chego a duvidar se realmente existirá um passado, pois todas as ideias do passado no presente adquirem novas formas sendo por isso condizentes com os diferentes estados de espírito e a mentalidade dos interpelados.
Não existe futuro pois nós é que construímos o nosso próprio mundo assim como a noção de bem e de mal. Haverá apenas acto e consequência.


Nunca o meu discurso foi constituído por diálogos deambulantes, cheios de ênfase e vocabulários bem ornamentados. Embora, por vezes, eles se insurjam em rasgos de frontalidade inesperados. O que me leva a crer que afinal sempre estiveram aqui presentes, vencendo esta timidez. Ao invocar as experiências que pairam algures pelos labirintos da mente dando vida às vozes que embalam os nossos poemas, libertando e redimindo. E a música, o que definirá um acorde perfeito, a qualidade agradável dos sons, o consenso para todos os que escutam esse mesmo equilíbrio sonoro?! Ou apenas será a associação das "coisas" em si que torna possível que se coloquem os rótulos de "surrealista", "futurista" ou "punk rock" para a posteridade...creio por isso antes numa vontade mística que nos possa fazer superar toda essa sensação sermos apenas e só o ermo de algo perecível. Com diria Shakespeare em Hamlet -"This mortal coil".
   A criação artística não será mais do uma sublimação desse mesmo vazio, a criança que persiste em nós e que nos leva a (re)criar novos mundos e esquecer assim a permuta da cognição. Muitos de nós acabamos por ignorar tal vontade, pois bloqueando-se esses impulsos supostamente torna-se mais fácil criar-se uma personalidade, moldável apenas e só com as vicissitudes da vida numa tentativa de coerência com aquilo que a realidade exterior nos pressiona a ser.
   A minha "persona" ri-se por vezes da tal castidade que visa fixar a personalidade de cada um como algo de imutável - o estigma da personalidade fixa. As intransponíveis almas de cimento não querem transparecer uma rude obrigação social. Mas ela existe! Para mim, para ti e para todo o mundo que nos espera lá fora pronto a nos desfazer em pedaços. Na génese do estereotipado a intuição sem objectividade dá lugar então à castidade frontal. Silêncio. Consegues-me mesmo ouvir?! Eu sei que sim. E sim, por vezes consigo mesmo ser intuitivo...mas não objectivo...imagens em cadeia insurgem...abstractas, divinas, alucinantes, imensas, impossíveis de descrever e entre todas elas tento encontrar o ponto convergente, o equilíbrio entre os pólos. Foi sempre o que me fascinou tanto em Blake. Ele conseguia-o.
  

 Ansiosas por serem milionárias, as mães, recriam todas as suas ilusões românticas vendo novelas. Enfiados na poltrona as conversas ao serão servem apenas para tentar travar as distancias entre pais e filhos, pais que trabalham 12 horas por dia. Assimilamos os estereótipos para que numa descarga de consciência possamos forjar todas as conversas artificiais.
Que sociedade se exprime hoje em dia nos nossos meios familiares?!
Quem sara as verdadeiras feridas escondidas na ilusão projectada pelos televisores?!
O que mais permitirá assim esquecer-se o quanto se é explorado por patrões totalitários que forçam a agarrarmo-nos a uma vida de sedentários?!
E por todas esta casas aonde passeava nesta cidade, por todas as janelas e por todos os cafés com animação nocturna depois do jantar... lá se encontrava o tal ecrã luminoso, o alegre quotidiano de Portugal entre telenovelas, talk-shows, Big Brothers e futebol.




Aldeous Huxley dixit


"A TV será a principal responsável por um declínio da capacidade de memorização das crianças hoje em dia e também nos defeitos da articulação discursiva. A TV leva-nos a sonhar acordados um estranho sonho projectado por um estranho vindo de um lugar estranho invadindo o ecrã da nossa mente.
Podemos já ter entrado numa era em que a informação é despejada no inconsciente colectivo, se assim for esse tal pequeno ecrã não será mais do que uma maquina hipnopédica"






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